sábado, julho 26, 2008

Do que gostamos e nem sempre precisamos...

O iPhone 3G da Apple nem foi lançado no Brasil, e já coleciona algumas críticas por alguns itens de que não dispõe, entre eles a impossibilidade de se fazer vídeo-chamadas, enviar mensagens multimídia, fazer chamadas por voz, gravar vídeos e mais algumas facilidades que independentemente de serem ou não utilizadas, já nos acostumamos a ter em nossos celulares.
Esse é o ponto, será que os itens que nos levam a trocar de máquina fotográfica, de DVD, de TV ou do bom e velho aparelho celular, são de fato necessários ou importantes a ponto de nos fazer mexer na carteira em troca de determinadas facilidades, que nem sempre serão desfrutadas?
Luiz Gracioso, professor da ESPM e diretor presidente da ESAMC diz em seus cursos de marketing, que os consumidores escolhem os equipamentos com mais funcionalidades, ou mais “botões” para que não se estressem, ou seja, é mais fácil comprar o modelo de equipamento cujo controle remoto tenha mais botões, do que ter a árdua tarefa de estudar as especificações de cada um dos milhares de equipamentos que encontramos nas lojas de eletrônicos, nesse sentido é reconfortante sabermos que está ao alcance de nossas mãos um poderoso controle remoto, com dezenas de teclas, que nem sabemos ao certo para que servem, além de ligar a TV, trocar de canal e aumentar o volume.
Por outro lado, existe uma tendência mundial de se simplificar produtos e serviços, exatamente para que as pessoas não se estressem. Complicado não? Nem tanto, pois simplicidade não significa poucos recursos, mas demanda certa habilidade no manuseio, é o caso dos equipamentos Apple, que com poucas teclas permitem dezenas de funções e facilidades.
Meu filho comentava que alguns amigos da escola, apesar de possuírem aparelhos celulares que permitem acesso 3G há meses, ainda não haviam configurado os aparelhos ou sequer utilizado a funcionalidade de acesso à Internet banda larga no celular.
Se não atentarmos para a utilização de novas tecnologias e facilidades, o preço a ser pago é grande, e ao invés de concorrer por tornar nossas vidas mais fáceis, podem tender a simplesmente tomar mais o nosso, já escasso, tempo!

terça-feira, julho 22, 2008

Eleições 2.0


Acompanhamos a evolução da campanha eleitoral de Obama nos Estados Unidos, que teve grande parte de sua vantagem sobre a senhora Clinton claramente apoiada sobre a Internet, em especial nos sites de relacionamento social como Facebook e Myspace, além de seu Blog pessoal, onde o candidato inteligentemente respondeu a questões relativas a seu programa de governo e sempre que possível, expunha-se pessoalmente para estabelecer diálogos abertos e sólidos junto a seus pretensos eleitores.
Entendo que a Internet não melhora nem piora a imagem de ninguém, apenas facilita a comunicação com os eleitores e seus candidatos, de forma que as idéias e projetos possam ser melhor discutidos e amplamente debatidos, antes de serem colocados em prática. Nessa situação, configura-se como importante ferramenta de nivelamento de expectativas e de projetos sociais, que encontram nesse ambiente um lugar propício e democrático para fortalecer o debate político.
Outra grande vantagem do meio eletrônico sobre o meio convencional (santinhos, comícios, debates, carreatas, e etc) é o seu custo. Na Internet consegue-se acesso imediato a milhões de pessoas por custos muito baixos, viabilizando campanhas mesmo a políticos que não disponham de tantos meios para entrar em uma campanha tradicional – o que definitivamente não era o caso de Obama.
E como tudo que diz respeito a web 2.0, devemos ressaltar a sua principal característica que é a interatividade. É aqui que mora o maior esteio e mais importante aspecto a ser observado na sua utilização, pois é através dela que conseguimos saber o que as pessoas pensam a respeito de determinados assuntos, como preferem que eles sejam encaminhados, que temas lhes parecem prioritários e todo o tipo de relacionamento saudável que um representante do povo deve ter com seus eleitores. No sistema eleitoral vigente, sobressai-se quem possui as melhores condições financeiras ou possui o apoio de seu partido e não efetivamente aquele candidato que possui as melhores respostas para as expectativas de seu eleitorado, pois a divulgação dessas idéias, bem como a coleta dos anseios dos eleitores através de pesquisas é muito caro, e nunca é acessível ao candidato iniciante ou que não possui forte relacionamento com seu partido, e isso praticamente elimina as chances dos novatos na política, e como o que mais queremos ver é a renovação política, que venha a eleição 2.0 também para o Brasil!

sábado, julho 12, 2008

Nerds


O termo Nerd vem sendo utilizado desde a década de 60 para descrever o jovem ligado à tecnologias, estudioso, fora de moda, cheio de livros embaixo do braço, com espinhas na cara e com a cintura da calça muito próxima do peito. Bem, essa costumava ser a definição do termo, muito provavelmente influenciado pelo incômodo que a performance desses jovens provocava nos demais alunos, nem tão brilhantes na escola. Mas o significado desse termo foi mudando com o tempo, e atualmente, ao procurar na Wikipedia vemos que Lia Portocarrero define Nerd como o rapaz ou moça que nutre obsessão por algum assunto a ponto de pesquisar, colecionar, fazer música, escrever sobre o assunto e não sossegar enquanto não descobrir tudo a respeito do objeto de seu interesse, ou seja é o sonho de todo professor. Mas então porque os professores e escolas não despertam esse interesse “nerd” em seus alunos? Simples, porque isso só brota no que os jovens acreditam e achem que valha a pena, e nem sempre a escola se enquadra nessa definição. Aliás segundo Rubem Alves, a criança não gosta da escola primeiro porque não vê sentido no que está sendo ensinado e segundo porque os professores também não sabem para que têm que ensinar aquilo que algum burocrata escreveu no conteúdo programático de seu ano letivo, que pouco difere do que nossos pais ou avós aprenderam. Ora, se a maior parte de nosso conhecimento muda a cada 30 meses, imagina que sentido faça estudar algo que foi ensinado a nossos avós!
Hoje vemos nossos jovens dedicarem várias horas aos estudos de seus jogos de interesse, comunidades, esportes prediletos, relacionamentos, bandas, geringonças eletrônicas recém lançadas (meu filho demorou menos de uma semana para dominar totalmente o seu Iphone...), e também os vemos gastarem horas e horas frente aos livros escolares, ou pior, frente às apostilas, e oferecendo aquele olhar de desinteresse que somente os que são pais de adolescentes sabem reconhecer.
Será que essa saga de forçá-los a estudar aqueles assuntos que sabemos não serem importantes no seu futuro, e que servirão apenas para tentarem entrar na universidade, sendo imediatamente esquecidos após essa fase, faz algum sentido? Não seria melhor destinar-lhes cada segundo disponível que tivéssemos para explicar-lhes o que de fato fará diferença nas suas vidas ou mesmo mostrar-lhes o quanto o mundo está mudando rapidamente e o tempo todo? E viva Rubem Alves!

domingo, julho 06, 2008

Todo mundo se aposenta



E chegamos finalmente ao dia em que mister Gates se aposentou. Apesar de sua empresa, a Microsoft não estar vivendo um de seus períodos mais brilhantes, é inegável a sua contribuição nesses mais de 30 anos em que esteve à frente da empresa, pois são quase 80 mil funcionários, construiu uma fortuna pessoal de mais de 58 bilhões de dólares e sua empresa está presente em mais de 100 países.
Apesar do mercado de informática ser extremamente ativo e mudar a cada segundo, todo o império da Microsoft foi construído sobre dois produtos, o Windows e o Office.
Ele deixa a Microsoft para seu sucessor (mais um louro na sua carreira, pois soube criar um sucessor) Steve Ballmer e certamente será lembrado de várias formas: Existe o Bill Gates bilionário, terceira pessoa mais rica do mundo, também temos o Bill Gates monopolista que enfrentou ações anti-trust na Europa e Estados Unidos, ações essas que causaram cicatrizes profundas em sua empresa e quase foram motivo de uma cisão, e por fim o Gates nerd, principal arquiteto de produto da mais poderosa empresa de software do mundo. Empresa essa que ousou tirar da IBM o título de maior empresa do mundo da informática. Curiosamente agora, a Microsoft vê sua posição no mundo da Internet ameaçada pelo Google. Nesse sentido, eventualmente a saída de Gates pode significar uma mudança positiva na estratégia da empresa, que sempre foi a de ter um PC em cada residência rodando Windows ou tendo o Office instalado. O Google por outro lado, vem trabalhando para oferecer aplicativos com a mesma função gratuitamente de modo não residente, ou seja, acessados via internet. Apesar do apelo da gratuidade, ainda é muito mais confortável trabalhar com programas residentes, do que acessá-los através da web.
Ciente do cenário em que sua empresa se encontra inserida, Bill Gates deixa o cargo de principal executivo para Ballmer, e promete assistir de fora, os próximos capítulos daquela que promete ser a novela de tecnologia mais acalorada dos últimos tempos. Independentemente da visão que tenhamos desse empreendedor do mundo dos softwares, para mim é claro e cristalino a sua contribuição para o atual estágio em que nossa tecnologia se encontra no momento. No capítulo de frases infelizes, cabe ressaltar que ele declarou que, apesar de ter dito várias delas, nunca pronunciou aquela fatídica afirmação de que 640 kbytes seria memória mais que suficiente para qualquer máquina, isso, declara Gates, é mera lenda urbana!
Nesse link você pode ver o vídeo produzido pelo próprio Gates sobre o dia de sua aposentadoria.

terça-feira, junho 24, 2008

Curva de popularização


Todos conhecem a chamada “curva de popularização”, efeito econômico através do qual, toda e qualquer tecnologia, ao longo de sua vida, vai baixando de valor e se popularizando, penetrando cada vez mais em todas as camadas sociais.
Nesse sentido podemos lembrar que na década de 90 comprar um aparelho celular era motivo de status, pelo preço que ele era comercializado, no entanto nessa semana li uma reportagem com Michael Klein, atual presidente da rede de lojas Casas Bahia, onde ele informava que aparelhos celulares eram os itens mais vendidos na rede, tendo alcançado a cifra de 3,6 milhões de unidades no ano passado. Ainda que aparelhos celulares, em muitos casos, tenham forte subsídio das operadoras de telefonia móvel celular, já vemos que grande parte deles é vendida em lojas de varejo, sem subsídio, denotando de fato uma redução de preço de venda.
De forma semelhante, observamos os preços de computadores e lap-tops despencarem, se por um lado já é possível adquirir um computador portátil por menos de dois mil reais, por outro podemos comprar um computador de mesa, os ditos desktops, por menos de mil reais. Essa popularização é uma das responsáveis pelo Brasil ter se tornado o quinto mercado mundial na venda de PCs, só no ano passado foram comercializados mais de 11 milhões de máquinas no País.
De forma análoga foi com os tocadores de CD e de DVD, lembro-me de entrar em um consórcio de CD player em 1991 para adquirir meu primeiro aparelho. Além do valor do aparelho, em torno de US$ 500, contribuiu para esse fato o salário que eu ganhava como engenheiro recém formado. Nessa época investíamos durante dez ou doze meses para adquirirmos um aparelho de CD, depois vinha o desafio de adquirir uma coleção de CDs, que também não eram baratos, e devemos lembrar que nessa época não se baixavam músicas pela Internet gratuitamente, todo CD tinha que ser adquirido legalmente. Nessa linha de raciocínio, também a pirataria foi fruto da popularização da tecnologia, os computadores e gravadores de CD ficaram muito acessíveis, assim como a penetração da Internet banda larga.
Hoje alguns DVD players custam menos de R$ 100,00 e, apesar do alto custo dos Blue Ray, sucessores dos DVDs com alta definição de imagem, estarem ainda com preços proibitivos (acima de R$ 7.000,00), certamente veremos em dois ou três anos a popularização também dessa tecnologia, permitindo a experiência de assistirmos filmes em alta definição em vários lares brasileiros, quem viver verá!

quarta-feira, junho 18, 2008

Fim do namoro Yahoo e Microsoft



Terminou semana passada o namoro entre o Yahoo e a Microsoft, e como quase todo namoro que termina, teve direito a muita fofoca e discussão. Apesar da aquisição do Yahoo ser a melhor chance da empresa de Bill Gates aumentar a audiência da sua página de busca (que passaria de 10% de participação para algo em torno de 30%), ela não se dispôs a pagar nada além dos 50 US$ Bilhões oferecidos pela transação. Eu disse 50 bilhões? Nada mal para uma empresa nova, que não possui grandes ativos patrimoniais, e que sequer é líder do mercado em que atua, pois sua participação nas buscas é um terço do líder nesse mercado, o Google, que possui mais de 60% de todas as buscas feitas na internet.
Pois bem, caso a aquisição fosse bem sucedida, ela permitiria que o site MSN tivesse a metade dos interesses de busca do Google, e nesse mercado, audiência está diretamente ligada à monetização, que é a alavanca de fazer dinheiro de um negócio de venda de espaços publicitários online.
Entrevistado, o senhor Steve Ballmer, principal executivo da Microsoft, disse não estar preocupado com o fracasso da negociação. Pois na minha opinião deveria estar preocupado sim, e muito preocupado por sinal!
O Yahoo, depois do término das negociações, já admite ter fechado uma parceria com o Google, o que os deixa com mais de 80% de participação - oito vezes maior do que a segunda colocada na audiência de buscadores.
Se por um lado o MSN corre o risco de ficar na lanterninha dos buscadores, por outro o produto que é o carro chefe da mesma empresa, o pacote Windows, tem como concorrente um pacote similar do Google, oferecido gratuitamente na internet. Sem falar nos problemas enfrentados pelos embates anti-trust da Europa.
De uma certa maneira, existem vários segmentos que temem essa expansão desmedida que o Google vem obtendo, mas certamente o mais preocupado no momento é o segmento de propaganda online. Imagine o que será negociar o custo de divulgação com uma empresa que detêm tamanha concentração de audiência. Michael Mothner, da empresa de pesquisa de mercado Wpromote classifica o negócio como “verdadeiramente assustador”.

sexta-feira, junho 13, 2008

Maestria


Discutíamos em um Workshop de liderança, com o mestre Reinaldo Lucas, o conceito de consciência e inconsciência e de como isso impactava na forma como agíamos. Quando estamos nos iniciando no estudo de algum tema ou arte, temos a fase da inconsciência e incompetência, pois não sabemos nada a respeito do que temos que estudar e também somos incompetentes a respeito da matéria, por não tê-la estudado. Ao longo do estudo ou treinamento, vamos adquirindo consciência, mas ainda não somos competentes, pois não treinamos e nem acumulamos experiência e prática no tema. Depois de muito esforço e treino, podemos chegar a fase da consciência competente, pois temos plena ciência do conhecimento que adquirimos e também acumulamos experiência através do treino e prática. Mas o conceito da maestria somente vem com muito treino e perícia, e quando passamos para a fase mais profunda que é a da inconsciência e competência, momento no qual somos extremamente competentes, porém não temos a necessidade de tomarmos consciência para decidirmos, passa a ser algo natural da ação e reação, reagimos sempre rapidamente, quase sem pensar e da forma mais competente e efetiva possível. Em uma analogia estudada na Amana Key, é como age um mestre de Kung-Fu. E você, em que fase está?

domingo, junho 08, 2008

Propaganda


O que você diria se, folheando uma revista de 200 páginas, se deparasse com 20 páginas dedicadas a anúncios de veículos? Provavelmente imaginaria estar com uma revista automotiva nas mãos, certo? Errado! Essa quantidade de propagandas de veículos estava numas das últimas edições da revista Veja que recebi em casa. Ora para que pago por essa revista, se recebo quase 50% do seu conteúdo impresso com propaganda?
O engraçado é que no estouro da bolha da internet, ocorrido na década de 90, o que mais víamos eram modelos de negócio baseados em publicidade – na época eram os famosos banners - e que, como todos sabem, acabaram por naufragar uma infinidade de negócios na rede mundial. Espaços publicitários eram vendidos e buscava-se aumentar a audiência dos sites para que os anúncios valessem mais. Essas páginas da internet ofereciam uma infinidade de conteúdo gratuito para atrair usuários. Esse modelo de negócios lhes parece familiar? Sim de fato é exatamente a mesma coisa que o Google faz, e lhe confere uma receita anual da ordem de 20 bilhões de dólares. Ora mas então porque tantas pessoas perderam milhões e milhões de dólares apostando em um modelo de negócio semelhante ao que existe agora para empresas como Google, Yahoo e o próprio MSN? Apesar de ser semelhante, não são exatamente a mesma coisa, agora agrega-se valor através da indexação e busca qualificada de matérias e temas de interesse do usuário. Lembro-me que na década de 90 várias empresas eram valorizadas pela quantidade de usuários que tinham na sua base, mas sem se saber ao certo o que fazer com eles, e no momento empresas de busca sabem o que fazer com seus visitantes. A eles é oferecida uma miríade de produtos e o valor ocorre quando esses produtos chamam a atenção e sobre os anúncios há o “click” ou seja, o cliente acessa aquele conteúdo para receber mais informações a respeito de produtos de seu interesse.
Fazendo uma analogia do que acontece na internet para o mundo das notícias que recebemos através de revistas, o que lhe pareceria termos acesso ao conteúdo das revistas sem termos que pagar absolutamente nada por isso, e estas serem remuneradas apenas pelas publicidades que fazem? Será que teriam que fazer mais propaganda para justificar a gratuidade do conteúdo? Eu de minha parte, aceitaria receber entre dez e quinze reais para cada revista que lesse, em troca dos bombardeios de informações a que sou submetido, toda vez que abro uma dessas revistas.

A ilusão da liderança


Recebi esse texto do Reinaldo Lucas, sócio da Mandelli Consultores Associados, que fala sobre liderança, sendo o próprio Reinaldo especialista na tema. É muito comum depararmo-nos com executivos que confundem o ato de "mandar" com o ato de liderar. A conhecida frase "manda quem pode..." é exemplo disso. A boa nova no entanto é que vem crescendo a cada dia mais a onda dos líderes servidores, aqueles executivos que se esforçam para que seus liderados tenham a melhor performance possível, através da sua ajuda e condução. Façamos parte desse grupo ASAP, aproveitem o texto:


Autor: MARCELO AGUILAR

O grande líder não é aquele que comanda os outros, mas sim quem serve aos outros, como o inglês Winston Churchill. Entenda isso e evite frustrações.

Levante a mão aquele chefe, gerente ou executivo que não sonha em ser um grande líder. Aquele tipo de líder de fala fácil, que todos param para ouvir, cujos pensamentos todos os colaboradores compreendem, cujas idéias são implementadas sem questionamentos. Sem dúvidas, todos querem ser assim. Recorremos a literaturas diversas, treinamentos específicos, "coaching", etc, para desenvolver as lideranças nas empresas. Tudo tem sua validade, mas é uma validade relativa, pois o sonho da liderança fácil e de pouco esforço ainda é mantido por dicas do tipo "faça isto que seus colaboradores e parceiros farão aquilo ...". Mantém-se a ilusão do poder de controlar os outros!

Isto é somente um sonho, pois, de fato, os colaboradores não são seus. São colaboradores de idéias e ideais. O líder é apenas o catalisador destas idéias e ideais.

Os filósofos da administração emprestaram a palavra "catalisador" da físico-química, para uso indiscriminado. O significado original da palavra CATALISADOR é: uma substância que modifica a velocidade de uma reação química sem se alterar... Ops!? Se líder é apenas um catalisador, e se catalisador é "algo" que, sem se alterar, modifica a velocidade de uma reação - como o surgimento e consecução de idéias e ideais -, quer dizer então que o verdadeiro líder serve aos outros e não aos seus próprios ideais? Sim. O líder serve à organização, aos seus colaboradores, parceiros e clientes. A história nos prova isto de todas as formas.

Veja o que disse Platão em "A República", ao narrar o duelo verbal entre Sócrates e Trasímaco, cerca de 250 anos antes de Cristo: "(...) nenhum chefe, em qualquer lugar de comando, na medida em que é chefe, examina ou prescreve o que é vantajoso a ele mesmo, mas o que o é para seu subordinado, para o qual exerce a sua profissão, e é tendo esse homem em atenção, e o que lhe é vantajoso e conveniente, que diz o que diz e faz tudo quanto faz".

Mais exemplos da história: líderes como Churchill, Hitler e De Gaulle, para o bem e para o mal, capitalizaram e catalisaram as aspirações do seu povo? Hitler só surgiu porque o povo alemão estava humilhado e esfomeado pelas condições de rendição impostas na Primeira Guerra Mundial. Ele não foi o primeiro a pensar que o povo alemão deveria se rebelar contra as condições do pós-guerra. Ele não foi o primeiro a pensar na superioridade da raça ariana. Estes eram pensamentos pré-existentes, do qual ele se utilizou para resgatar a auto-estima de um povo. Hitler subiu ao poder como um líder que catalisou algumas idéias e se tornou um ditador pelo medo com o auxílio de sua polícia política, a Gestapo. Suas ações são recriminadas pela história.

Churchill e De Gaulle se tornaram líderes porque catalisaram a idéia de que não se deveria ser conivente e passivo com o avanço do nazismo. Também não eram idéias próprias, mas um sentimento geral de suas nações. Com a proximidade do final da guerra, Churchill não conseguiu mais ser um catalisador de idéias e ideais para a Inglaterra e perdeu as eleições no verão de 1945. Seu temperamento agressivo e suas palavras duras prejudicaram suas chances de vitória, chegando a ser vaiado no Walthamston Stadium. Muitos anos depois Churchill foi eleito o "Maior Britânico de Todos os Tempos", concorrendo com Darwin, Shakespeare e outros.

De Gaulle só se tornou presidente da França em 1958, quando conseguiu provar que não era somente bom para a guerra, catalisando as idéias de reformar a constituição francesa e as diversas instituições do império francês. Estes eram os ideais do povo francês, descontente com a quarta república. De Gaulle foi um dos maiores estadistas e líderes deste século. Na história recente do Brasil Fernando Henrique Cardoso catalisou o ideal de estabilidade econômica. Para ser escolhido como líder da nação, o presidente Lula catalisou o ideal de justiça social, mantendo a estabilidade econômica.

Ser líder é servir aos outros. É aceitar que o reconhecimento pode vir tardio, talvez até após sua despedida do poder. É saber que será combatido. É saber que só terá colaboradores se convencê-los de que é a pessoa certa para levar as idéias e ideais adiante.

domingo, maio 25, 2008

Quem está pagando?


Se eu disser que folheando uma revista de 120 páginas, encontro normalmente de dez a vinte páginas dedicadas a propagandas de veículos dirão tratar-se de revista dedicada ao automobilismo, certo?
Errado, falo da revista Veja, que traz entre 10% e 20% de suas páginas dedicadas a propagandas de veículos, normalmente de alto valor. E o engraçado é que ainda pago para receber essa revista, deveria recebê-la de graça! Esse é o modelo de negócio que se reforça a cada dia mais, baseado na Internet. Os grandes fornecedores que querem anunciar seus produtos pagam pelo custo da veiculação, e os grandes sites como Yahoo e Google oferecem conteúdo a custo “zero” seus conteúdos aos usuários que remunerarão o serviço quando porventura se interessarem no conteúdo e fizerem aquisições.
Trazendo para o exemplo em questão, seria como receber a revista Veja de graça em casa semanalmente, e remunerar a editora quando me interessasse por algum artigo anunciado e o comprasse por conta do anúncio veiculado. Faz sentido não é mesmo?
Nessa semana li um artigo de Chris Anderson, que menciona exatamente a tendência de virarmos uma economia do gratuito, onde diversos serviços serão oferecidos a custo zero em troca da veiculação que se faz de artigos à venda. Foi assim por exemplo com o e-mail com capacidade de armazenamento de Giga bytes e depois com capacidade ilimitada da Yahoo, que é fornecido gratuitamente e que obviamente é remunerado pela propaganda que é feita nos e-mails que circulam o mundo todo.
Não me preocupo por enviar e-mails com propagandas ou mesmo de recebê-los, desde que esteja recebendo um bom serviço e não esteja pagando por isso. Entendo que esse é o custo do serviço. Estranha-me, no entanto, pagar a anuidade de uma revista e receber no seu interior mais propaganda do que conteúdo, será que estamos no limiar de uma mudança de modelo de negócio, e em breve essas revistas serão gratuitas, ou então mais leitores se ressentirão pelo que compram e deixaram de comprar essas revistas obrigando-as a mudarem de modelo de negócio? Porque entendo que ganhar dos dois lados não faça sentido, ou pelo menos seja uma maneira desequilibrada de agregação de valor. Eu de minha parte já decidi que não renovarei minha assinatura dessa revista de propaganda de automóveis!

quinta-feira, maio 22, 2008

Windows finalmente no OLPC


A Microsoft finalmente anunciou, semana passada, que liberará o sistema operacional Windows para ser fornecido juntamente com o XO, computador de baixo custo, idealizado por Nicholas Negroponte. Esse programa recebeu o nome de OLPC (One Lap Top per Child – um computador por criança) que tem por objetivo fornecer equipamento de informática básico e de baixo custo para todas as crianças, A expectativa inicial era chegar a um valor de US $ 100 por máquina, mas atualmente elas estão sendo vendidas pelo dobro desse valor.
O acordo assinado com a Microsoft vem em um momento crítico, pois o programa experimenta uma penetração muito mais baixa do que se pretendia - apenas 600 mil unidades vendidas para países como Peru, Uruguai e México, além de não conseguir chegar ao objetivo de valor inicialmente prometido para o mundo.
A entrada do Windows vem sendo adiada por anos, haja vista que a escolha feita de sistema operacional para o XO é o Linux, software livre, que obviamente conflita com a estratégia da Microsoft.
Todos sabem que a aceitação do Windows é bem maior que a do Linux, o que é uma pena, pois observa-se em vários programas educacionais e de inclusão digital que o aprendizado do aluno melhora no momento que ele é mais exigido pelo sistema operacional, pois no Linux as interfaces podem e devem ser customizadas pelos usuários.
O programa recebeu muitas críticas, em especial dos que acreditam que não adianta fornecer ferramentas para promover a inclusão digital, pois faltariam capacitação, tanto dos alunos quanto dos professores. A prática no entanto, aqui no Brasil, tem nos mostrado o oposto, as nossas crianças vêm tendo uma experiência com informática, e no meu entender já não podem ser considerados “excluídos digitalmente” pois conhecem os mecanismos básicos da rede mundial de computadores, possuem páginas na Internet, Blogs, e-mails e se comunicam nas Lan Houses das periferias através dos sistemas de mensagens rápidas como MSN Messenger.
Tenho visto mais exclusão digital em adultos de razoável poder aquisitivo, com computador em casa e acesso a Internet, mas que ainda relutam em se utilizar as ferramentas de informática de maneira natural. E você, considera-se um incluído digital?

segunda-feira, maio 12, 2008

Conectividade


Nunca tivemos tamanha diversidade de conteúdos e aplicativos disponíveis na web como no momento. Semanalmente surgem novos usos e softwares populares, que atingem os milhões de usuários quase que instantaneamente. É o que chamamos de divulgação por efeito viral, que ocorre no boca a boca e eventualmente através de ferramentas de convites restritos a usuários do sistema, que ajudam a divulgar aplicações e programas de relacionamento e engenharia social.

Se por um lado assistimos ao fenômeno da proliferação de usos da internet, por outro temos a inegável inclusão digital. Atualmente já temos mais de 1,5 bilhão de pessoas no mundo com acesso a internet (mais de 20% da população mundial). No Brasil além dos inúmeros programas de organizações não governamentais e assistenciais do governo concorrendo para a inclusão digital, temos também o efeito das lan-houses de periferia, o que vem fazendo com que praticamente todos os jovens saibam se relacionar com uma ferramenta que há menos de dez anos era totalmente inimaginável para muitos deles. Ouso dizer que os excluídos digitais no momento são alguns adultos, que mesmo possuindo acesso a computadores, ainda têm receio de se entregarem de vez ao apelo da internet.

Disponibilidade e variedade de conteúdo associado a uma massiva entrada de novos usuários diariamente na era da internet –eis todos os ingredientes para uma explosão da penetração das tecnologias de acesso, experimentada pela indústria de telecomunicações no mundo todo, que vem, praticamente, dobrando a quantidade de acessos a banda larga anualmente.

Esse agressivo aumento das redes de banda larga vem provocando também a redução de preços da infra-estrutura necessária à sua disponibilização. Assim, com a redução de preços de equipamentos de transporte e controle de banda, servidores, sistemas de armazenamento e processamento digital de sinais, passamos a alimentar um ciclo virtuoso que acaba por reforçar, ainda mais, o aumento de banda larga.

Nos últimos três anos, após fatídicos leilões que levaram empresas européias do setor de telecomunicações a investirem bilhões de dólares na aquisição de licenças para explorar a terceira geração de sistemas celulares, buscando exatamente disponibilizar banda larga com mobilidade, vemos que o mercado mundial de aparelhos celulares e de aplicativos para terceira geração começa a se popularizar, ajudado inclusive pelo programa 3G for all, que visa à obtenção de aparelhos preparados para a terceira geração a preços populares. No Brasil começamos a experimentar a utilização da banda larga móvel, que apesar de estar em seu estágio inicial de lançamento, veio em um momento propício. Dois fatores que contribuem são a queda do dólar e a popularização dos equipamentos portáteis como lap-tops. Desse modo, a banda larga móvel atinge boa parte dos usuários de internet, em especial os profissionais que costumam viajar com freqüência e que através de Wi-Fi, e agora a 3G, podem continuar tendo acesso a internet e a seus sistemas de correio eletrônico.

O uso profissional da informática, apoiado em uma infra-estrutura de web 2.0, vem proporcionando uma verdadeira revolução em várias profissões. Ferramentas de colaboração permitem acessos simultâneos e de forma controlada a arquivos, que dessa forma podem ser estruturados e preparados à várias mãos, garantindo qualidade e tempo de preparo nunca vistos.

Usuários de internet não se contentam mais em apenas acessar ao conteúdo que se encontra disponível na rede mundial de computadores. Ao invés disso, cresce velozmente a quantidade de conteúdo gerado pelos próprios usuários, que através de seus Blogs, vídeos e aplicativos garantem uma enorme diversidade de conteúdos e novas idéias e alimentam, assim, o ciclo de inovação.

Começamos a ver também utilizações de comunicação e interconexão máquina à máquina, que através de aplicativos de segurança, rastreamento e localização, geram um novo tráfego de dados na rede e, certamente, levará a uma quantidade maior de fontes de tráfego que a da própria população humana.

O conceito do “online”, do “tudo aqui e agora”, começa a compartilhar espaço e importância com o conceito de interatividade. Novos modelos de mídia surgem , com campanhas na Internet que estimulam a interação e a expressão de opiniões dos usuários no momento em que tomam contato com a informação. Essa interatividade não fica restrita às redes fixas de banda larga e muita expectativa é colocada nas redes móveis de banda larga e serviços de mensagens rápidas.

Começamos a tatear o mundo do mobile-payment e do mobile-advertisement, mas tomando em conta o efeito que esses novos modelos de negócio vêm atingindo e a facilidade com que nosso mercado recepciona novas tecnologias, temos a expectativa de essas mobilidades, também no Brasil, serão precursoras de uma nova forma de se relacionar e utilizar a rede móvel de telecomunicações.

As mídias tradicionais de rádio, TV e jornal já iniciaram, num passado recente, incursões no mundo da internet, o que vem derrubando o conceito de divulgação limitada por área geográfica. Assim, a cada dia, descobrem novas formas para o acesso instantâneo a qualquer conteúdo, em qualquer momento e em qualquer lugar do mundo.

Nessa constante evolução, não conhecemos ainda todas as fórmulas e conceitos. Novos modelos de negócios são criados diariamente e vários deles não resistirão ao próximo ciclo de planejamento (que de anual tende a ser diário). Nesse ambiente, valoriza-se a facilidade em desaprender e em perceber quais tecnologias e usos, de fato, vigorarão e ganharão a preferência dos usuários. Trata-se de um grande “lego”, onde todos têm a oportunidade de agregar blocos, que nos levarão a uma nova realidade, a que certamente ainda não estamos preparados. Então a palavra dessa época de conectividade é aprendizado e flexibilidade para poder surfar nessas novas tendências!

segunda-feira, maio 05, 2008

Internet para música?


Outro dia, enquanto comprávamos alguns CDs pela Internet, meu filho comentou que os preços dos CDs estavam baixando fortemente. Acredito que esse fato seja explicado pelo momento de ruptura que a indústria fonográfica vive, onde a fase do CD está acabando e provavelmente será substituída pela aquisição eletrônica de músicas individuais ou então de shows e vídeo clipes no lugar da música somente.
O fato de estar adquirindo músicas pela Internet, com meu filho ao lado, serve para ilustrar vários pontos, entre eles a questão da anti-pirataria e do exemplo contido no fato de estarmos pagando pelas músicas que estávamos adquirindo, mas gostaria de me ater especificamente à questão da distribuição de músicas e da dependência que a maioria dos artistas têm para com as gravadoras, distribuidoras, rádio e TV.
Ouço dois podcastings excelentes para conhecer novos músicos e conjuntos, o “Som para Viagem” e o “Café Brasil”, em ambos podemos ter acesso a entrevistas, reflexões e muita poesia, acompanhada de um tipo de música de muito boa qualidade, porém não divulgadas nas mídias tradicionais.
Sabemos que a receita de um cantor vem dos shows que faz e não dos discos que vende, pois nesse canal a maior parte fica para a gravadora e para os diversos distribuidores. Também ocorre que para divulgar em diversas rádios com boa audiência, vários conjuntos têm que pagar – é o que se chama de “jabakulê” ou simplesmente “jabá”. Ora temos aqui o ambiente ideal para que haja uma ruptura no modelo convencional de negócios. Com as novas tecnologias, é muito mais acessível a montagem de um estúdio de gravação de CDs (chamados home-estúdio).
Esse é o cenário que temos assistido freqüentemente, conjuntos lançando-se de forma independente, sem contar com a ação das gravadoras existentes, e distribuindo seus discos exclusivamente através da Internet ou em venda direta em shows. Em alguns casos consegue-se chegar a marcas interessantes através desses canais, onde vários músicos têm relatado terem ultrapassado a marca dos 200.000 discos através da venda pela Internet apenas, e sem investir um único centavo na mídia televisiva e de rádio e criando independência das gravadoras. Além de mais barato e de permitir maiores margens, também cria independência quanto ao estilo, pois ficam imunes às pressões da mídia para que gravem determinados estilos de música, mais populares e comerciais, garantindo com isso trabalhos autênticos e que realmente expressem a vontade do artista. E viva a Internet!

terça-feira, abril 29, 2008

IP na tostadeira?


Lembro-me de uma frase muito difundida no mundo da Internet, que foi escrita na década de 90, quando começamos a enxergar até onde a Internet chegaria no futuro. É dessa época as frases “IP to the toast – IP na tostadeira” e “IP to the refrigerator – IP na geladeira”, frases que queriam nos mostrar o alcance do protocolo de Internet (IP) no nosso dia-a-dia.
Em que pese que até o momento, quase quinze anos depois de ouvir essas famosas frases, continuo sem entender para que alguém desenvolveria uma tostadeira conectada à Internet, aliás questiono mesmo se a tostadeira não seria um plano maquiavélico norte-americano para dominar o mundo, através de propaganda subliminar colocada nos filmes holiwoodianos, já que nenhum outro povo é tão próspero no uso desse eletrodoméstico quanto nossos irmãos lá de cima.
Apesar de não imaginar tostadeiras cibernéticas, já escrevi a respeito e reconheço que sonho com o dia em que minha geladeira será capaz de avisar ao mercadinho, próximo de minha casa, que está faltando cervejas no seu interior. E não é só ai que acho que o IP vem invadindo minha vida (e a de mais de um terço da população do mundo). Como cozinheiro de domingo, já me acostumei a acessar páginas de receitas e de dicas culinárias para amantes da culinária, e para tanto nada mais prático do que acessar a internet de um lap-top sobre a pia da cozinha (conectado via Wi-Fi obviamente, já que fios não combinam com farinha de trigo).
E para não ficar somente na cozinha, lembro da utilidade que a informática, em especial a internet, tem assumido para os músicos amadores, e mais uma vez domingueiros, que não precisam mais acumular um quilo de revistinhas com sistemas de cifragem ou partituras para tocarem e cantarem as músicas de seus conjuntos prediletos. Através da Internet podemos encontrar as músicas que mais gostamos de forma rápida e organizada, além de contar com a facilidade de podermos alterar a escala, caso não tenhamos voz para acompanhar determinados tons, e também podemos, num “clickar” de dedos, substituir aquela partitura para violão acústico, adaptando-a para guitarra, cavaquinho, baixo, etc.
E o uso da Internet não para por aí, já tenho observado a sua utilização com bastante freqüência em celulares, nas intermináveis horas de espera em aeroportos, salas de espera de consultórios, e em muitos outros lugares inusitados. Se por sinal alguém souber de outros usos curiosos não deixe de me enviar.

terça-feira, abril 22, 2008

Máquina falando com máquina?


Mesmo quem não viveu sua infância na década de 60 deve se lembrar do desenho animado dos Jetsons, aquela família engraçada que vivia em algum tempo avançado no futuro e que nos divertia com uma série de interações com robôs e máquinas que faziam de tudo para facilitar a vida dos protagonistas.
Bem alguma modernidade anunciada naquele desenho já pode ser verificada nos dias de hoje, em especial a comunicação de máquina para máquina. Normalmente quando utilizamos nossos aparelhos celulares estamos com a intenção de falar com alguma pessoa, em que pese o fato de várias vezes sermos atendidos pela secretária eletrônica, mas quando usamos o celular para localização e rastreamento de nossos veículos, por exemplo, temos uma operação de comunicação máquina para máquina, também temos o mesmo tipo de utilização em coleiras caninas, utilizadas para que não percamos nossos cães de vista. Já se encontra em utilização no Estado de São Paulo uma tornozeleira com localizador para presidiários. Em todos esses dispositivos conseguimos demonstrar com razoável precisão a localização de seu usuário através de um software na internet.
Esses dispositivos de localização também são muito utilizados em caminhões, para que se possa fazer o rastreamento do veículo e mesmo que se tenha a possibilidade de enviar alguns telecomandos como bloquear o motor, trancar a porta do compartimento de carga ou acionar o alarme, caso o mesmo venha a ser assaltado. Também se utiliza de equipamentos semelhantes que possam ser incluídos nas cargas a serem transportadas, para que seja possível localizar o destino da carga em caso de roubo.
Em todos esses exemplos, temos um dispositivo falando com outro, com o objetivo de prestar um serviço de localização ou telecomandos por meio de um centro de operações remotamente localizado. Estamos apenas começando nesse mundo de possibilidades de automação que a utilização desses dispositivos permite, imaginem nossa geladeira se comunicando com o mercado mais próximo de casa, informando o que está faltando em seu interior, ou então o carrinho do supermercado informando para a caixa registradora o montante de dinheiro necessário para pagar tudo que estiver em seu interior, sem a necessidade de se digitar item a item. É uma infinidade de usos que estamos apenas começando a vivenciar. Ainda aguardo o momento de poder ter uma ajudante em casa, à semelhança da Rose, a empregada robô dos Jetsons.

terça-feira, abril 15, 2008

Estamos dando importância ao SMS?


Apesar da Banda Larga estar sempre em evidência, como o que se tem de mais inovador e de interesse por parte das operadoras de telecomunicações, o mercado de SMS vem correndo por fora e já se encontra praticamente emparelhado, em termos de receita, com o mercado de Banda Larga, com a vantagem que ainda resta muito espaço para crescer, ao passo que a Banda Larga já começa a experimentar uma certa estabilização na forma como atualmente é oferecida para o mercado. Em 2008 serão encaminhadas algo em torno de 2,3 trilhões de mensagens no mundo todo, gerando uma receita de mais de US$ 60 bilhões, além do SMS possuir um crescimento médio de 20% a.a., quase o dobro que a Banda Larga. Quem diria, não?

segunda-feira, abril 14, 2008

m-advertisement


Estudo do Gartner Group aponta que o mercado de propaganda em aparelhos móveis celulares movimentará US$ 2,7 Bilhões em 2008, representando um acréscimo de quase 60% comparado ao ano de 2007.
Essa taxa de crescimento astronômica mostra que esse mercado está apenas engatinhando ainda e que temos muito caminho ainda por percorrer. Mas a pergunta que fica é se nós, aqui em terras verde amarelas, estamos aproveitando desse mercado em expansão, e a resposta é um grande e retumbante NÃO!
Notadamente o Brasil possui algo em torno de 5% dos assinantes de celulares do mundo inteiro, transferindo esse percentual para a verba destinada à propaganda celular do ano de 2008, teríamos mais de R$ 130 milhões. Parece que algum outro país está se utilizando desse montante em nosso lugar...
Quando falamos em propaganda na telinha de nosso celular, não podemos pensar em Spams ou mensagens invasoras ou de gosto duvidoso, insistindo em aparecer nos nossos aparelhos toda vez que tentamos utilizá-lo para fazer uma chamada telefônica, fosse assim e não estaríamos vivenciando uma taxa de crescimento de investimento nesse setor de quase 60% ao ano. Esse mercado se desenvolve através de um novo modelo de comunicação e divulgação, baseado em imagens e filmes adequados para o formato e tamanho das telas dos aparelhos celulares, bem como áudio compatível com os mesmos dispositivos e, principalmente em um modelo de comunicação interativa. Essa é a chave de ouro da propaganda móvel celular: Interatividade.
E para tanto, não estamos falando apenas em tecnologia e infra-estrutura que suporte a interatividade, aliás isso é o que menos importa, o que temos que ter em mente mesmo é a capacidade das agências bolarem modelos de comunicação de bom gosto, que nos estimule a recebermos essa comunicação, enquanto clientes.
A bem da verdade, não temos muito bem definido sequer como a cadeia de valores da propaganda funcionará nesse caso, quem serão os canais de distribuição, com que parcela do bolo publicitário ficarão, se os clientes pagarão para receber essa propaganda ou não (como é o modelo em vários países) enfim, falta definir um modelo sustentável de criação, divulgação, e comercial do que o mundo já começa a apelidar de m-advertisement, ou publicidade móvel. Ainda há tempo de pegarmos esse bonde, mas vamos ter que apressar o passo!

quinta-feira, abril 10, 2008

O jeito de ser internet


No último primeiro de abril, para não se fugir à regra, circulou na internet, através de sites e e-mails, uma série de notícias falsas e de brincadeiras. Uma empresa que vem se superando pelas brincadeiras que faz é o Google que todo ano monta uma ardilosa estratégia para divertir seus usuários, e nos brinda com notícias falsas muitíssimo bem elaboradas. Pois nesse ano não foi diferente, e vimos a primeira brincadeira no mais famoso site de relacionamento do mundo, o Orkut, que durante o dia primeiro de abril estava com o nome Yogurt.
Mas nesse ano, houve outra brincadeira, também circulou uma notícia via Youtube, onde se dizia que a Virgin (famosa empresa com vários negócios, entre eles música, telecomunicações e aviação) estaria fazendo uma parceria com o Google, e montaria um negócio em Marte. A nova empresa se chamaria Virgle e os interessados poderiam se candidatar através de entrevista e os requisitos para esse trabalho foram publicados no Youtube no dia primeiro de abril, sendo que a cena era representada pelo presidente e fundador da Virgin Richard Branson.
Na internet não podemos acreditar em tudo o que vemos, principalmente na construção de negócios mirabolantes em Marte, mesmo que tudo leve a crer que se trata de algo real. Até entendo que um dos fatos positivos desse canal de informação seja exatamente esse, uma vez que nos obriga a sermos críticos na interpretação de tudo que recebemos, como forma de não sermos enganados através de falsas notícias, não que não devêssemos ter o mesmo procedimento frente às notícias que recebemos pela Televisão, jornal e rádio, mas é que fomos acostumados a acreditar que se uma notícia vem de fonte oficial merece credibilidade, mas nem sempre é assim.
Entre a versão oficial postada no Youtube e as diversas variações, foram mais de um milhão de visualizações só no dia primeiro de abril, o que mostra mais uma vez o potencial de disseminação desse canal, que mesmo sem nenhuma publicidade, a não ser aquela que circula no boca à boca dentro do próprio canal de vídeo, ainda assim por diversas vezes faz frente à publicidades ditas oficiais no mundo tradicional. Esse é o jeito internet de ser, onde achamos informação sim, mas onde também achamos descontração, informalidade e até brincadeira, mesmo vindas de empresas bilionárias como a Virgin e o Google

sexta-feira, abril 04, 2008

Punição por uso elevado de banda larga?


Se você é usuário de sistema Banda Larga de operadoras de TV a cabo ( AJato e Virtua) prepare-se pois elas podem passar a punir seus usuários para utilizarem muita banda fazendo downloads (trata-se do temível tráfego peer-to-peer ou P2P). Que mico hein?

Li essa notícia hoje pela manhã na PC World.

domingo, março 30, 2008

Estamos chegando próximos do limite?


A lei de Moore (Gordon Moore – 1965) nos diz que tudo dobra de velocidade de processamento a cada dezoito meses no mundo da informática. Nos últimos anos é o que temos visto, mas pode ser que eventualmente estejamos chegando próximos ao limite imposto pelos materiais que utilizamos em microeletrônica, além do alto consumo que temos feito do silício, material básico para confecção de componentes eletrônicos, também nota-se que esse material chega ao seu limite do ponto de vista de melhora de performance, o que tem levado cientistas a procurarem outras tecnologias e materiais para o substituírem. O Germânio, apesar de também ser limitado na natureza, pode ser uma boa alternativa para a crescente miniaturização dos componentes eletrônicos (atualmente o silício já é preparado em células de 50 nanômetros).
Podemos notar que os computadores pessoais sempre tiveram sua capacidade de armazenamento e processamento melhoradas desde a década passada, mas atualmente já vemos que as melhoras se dão através da adição de processadores adicionais (duocore ou quadcore) ao invés de colocarmos mais velocidade de processamento, isso pode nos indicar que será mais fácil no futuro adquirirmos computadores com vários processadores, do que comprarmos um computador com um único processador muito mais rápido. Esse fato já vinha ocorrendo desde que começamos a utilizar placas aceleradoras de vídeo para que tivéssemos mais velocidade no processamento de imagens em velocidade mais alta, depois vieram as placas multimídias para processamento digitalizado de som, e por fim, agora estamos vendo opções no mercado de oferta de PCs com mais de um processador, como forma de melhorar a performance sem aumentar em demasia o custo.
Uma alternativa futura é a utilização de nanotecnologia para elaboração de processadores e memórias utilizando nanotubos de carbono, que consumiriam muito menos energia, dissipando menos calor e sendo mais rápidos que as atuais pastilhas de silício, mas ainda observa-se um alto custo dessa tecnologia para que fosse utilizada em alta escala. Talvez ainda vejamos antes disso a utilização maior de tecnologia óptica em nossos PCs, quem sabe? Ou então talvez tenhamos de editar a Lei de Moore novamente...