segunda-feira, agosto 26, 2013

Carros conectados

Segundo estudo da GSMA (GSM ASSOCIATION) e da firma de pesquisa SBD, o mercado de carros conectados será avaliado em quase 40 bilhões de euros em 2018, sendo 83% desse valor resultantes do crescimento da tecnologia SIM, incorporada aos veículos para habilitar a conectividade móvel. Esta notícia lhe surpreende? Também me surpreende, não pela inovação, mas pelo atraso! Não consigo acreditar que demoraremos ainda mias de cinco anos para adotar de maneira massiva a tecnologia de conectividade para nossos automóveis.
Temos várias tecnologias e usos atualmente que, apesar de conhecidas, demorarão algum tempo até terem a maturidade suficiente ou atingirem escala que permita serem adotadas com uma relação de custo benefício adequada. Nesta categoria contamos com tecnologia genética, nano tecnologia, tecnologia médica e biométrica, e várias outras, mas certamente a tecnologia de conectividade celular não se enquadra nesta categoria.
Embarcarmos a tecnologia celular em todos nossos automóveis agregaria pouco ao custo final do automóvel principalmente se compararmos esse custo aos benefícios que colheríamos caso tivéssemos esta tecnologia já disponível e extensamente adotada.
A questão da segurança e rastreamento é o que sempre nos vem à cabeça, mas temos muito mais que isso, imaginem as inúmeras possibilidades de serviços que poderiam ser prestados: agendamento de manutenções, diagnósticos remotos, alarme de manutenção e de mal funcionamento, downloads diversos de atualizações de software, de músicas, de filmes para a central multimídia, conexões às caixas de e-mail com interface de áudio, correio de voz, redes sociais, microblogs, informações mais precisas de navegação, receber informações sobre condições de tempo, de tráfego, de acidentes, limites de velocidades, vencimento de IPVA, seguros e mais uma infinidade de serviços, que certamente viriam, assim que a conectividade estivesse plenamente disponível.
Do ponto de vista de cobertura de tecnologia celular não temos desafios, também não teríamos desafio pelo custo de disponibilizar a interface no veículo, pois basicamente seria um celular mais simples (sem bateria, teclado, carregador, e etc) e uma vez que tivéssemos a possibilidade de termos webservices disponíveis e embarcados em nossos veículos, abriríamos uma janela de oportunidades para que milhares de desenvolvedores desenvolvessem uma infinidade de aplicações, que poderiam ser disponibilizadas em portais, do tipo appstore.

Que venha logo esse futuro, quem sabe isso também vale para motocicletas?

segunda-feira, agosto 05, 2013

Estamos mesmo preparados?

Quem lida com tecnologia no dia a dia (e quem não lida hoje em dia?!?) é testemunha que tudo muda tão rapidamente, que nem sempre essas mudanças e atualizações tecnológicas pegam as pessoas totalmente preparadas para interagir ou mesmo tirar todo o proveito possível destas inovações.
Já nem falo mais no malfadado manual de uso, que tornou-se uma obrigatoriedade legal, e que certamente quase ninguém folheia.  Bom é o Kindle, que entrega o seu manual de forma eletrônica, tendência também seguida pelos fornecedores de tablet e celulares, se não forem ser utilizados, pelo menos não gastaram papel!
Mas as tecnologias embarcadas em veículos, tem exigido atitudes diferenciadas, tanto das oficinas quanto dos usuários. Não acredito que seja obrigado a levar meu carro até uma concessionária, apenas para que alguém faça o “reset” do seu rádio, que de uma hora para outra empaca igual burro teimoso e insiste em não reconhecer a entrada auxiliar, nem CD, nem FM, nem nada....acho que deveria vir já com botão “reset” no painel, pois já que a recomendação para esse problema é essa, pelo menos eu economizava uma ida até a concessionária, e pensando mais longe, junto com esse botão deveria vir agregada a função de “dislike”, assim cada vez que eu tivesse que pressioná-lo, automaticamente já apareceria uma reclamação na página do facebook do fabricante do automóvel.
O carro de meu filho tem várias inovações, mas as que mais irritam são os sensores que ou não funcionam ou funcionam de forma intermitente. Pensam que corrigiram na concessionária? Negativo, disseram que trata-se de carro novo, que ninguém ainda reclamou, que a falha não afeta a segurança....e por aí vai, aliás vamos, vamos andando com o carro acusando obstáculos traseiros que não existem, avisando de revisões desnecessárias pois o carro é novo, e etc e etc. Sabe como resolver? Manual? Nem pensar! Entre na internet, busque em algum fórum, em qualquer país, e encontrará problemas semelhantes que foram resolvidos de alguma forma.

Pena que na concessionária só saibam vender, por vezes nos “engabelar” e sequer saibam do que se trata um fórum...

quinta-feira, junho 13, 2013

Demand Shaping

Os que, como eu, atuam na área de tecnologia há mais de 25 anos, vivenciaram uma época em que, face à limitação da tecnologia vigente, nem tudo que se queria implementar era possível de ser feito ou mesmo viável.

Talvez derive daí um momento que vivenciamos atualmente onde, à semelhança de um movimento pendular, passamos a implementar tudo que queremos ou que se nos é solicitado.

Mas se no passado muito do que queríamos fazer não era suportado pelas tecnologias existentes, será que o fato de atualmente termos evoluído muito, e termos facilidades para fazermos praticamente tudo o que queremos, implicaria diretamente em uma evolução ou melhora de eficiência? Infelizmente a conclusão não é tão automática assim.

Imaginem um médico que, mesmo sendo um especialista, fizesse sempre e tão somente a vontade de seus pacientes. Um paciente poderia entrar em seu consultório e dizer: “Doutor estou com uma dor aqui, próximo de minha barriga, portanto gostaria que o senhor me operasse do apêndice...”, que tal? Dentro daquele conceito de que o cliente tem sempre razão, não estaria errado.

Com TI acontece algo semelhante, passamos de um período de grandes limitações, onde as expectativas eram atingidas somente com grandes dificuldades, para uma era onde tudo é possível. Podemos integrar tudo com qualquer coisa, e automatizar qualquer atividade, por mais insignificante que seja. Talvez aí more o problema, pois podemos estar automatizando processos desnecessários ou pouco importantes, pura  e simplesmente “porque nos foi solicitado”.

Surge um novo conceito que muda um pouco o paradigma de atendimento às demandas solicitadas à TI, chama-se Demand Shaping, onde ao invés de analisar se o que nos pedem pode ou não ser feito, passa-se a analisar se é realmente necessário passando inclusive a influenciar o que será demandado.

É uma interação muito forte e produtiva, com as áreas atendidas e suportadas por TI, onde as demandas são discutidas profundamente, permitindo-se que novas necessidades ou possibilidades surjam não somente da área demandante, mas também apresentadas pela área de TI, que por estar o tempo todo vivenciando novas facilidades e recursos, pode despertar para uma nova possibilidade ainda não imaginada por seus clientes internos.


Que lhe parece? Há a possibilidade de você, como profissional, ainda estar operando os apêndices que lhe são solicitados, ou já atingiu um patamar onde o diálogo, os questionamentos e a opinião técnica são não somente permitidas, como esperadas?

domingo, abril 21, 2013

Produtividade em TI - Out Of The Box é possível?


Já ouviram falar em “deixar sua marca”, ou então que a atuação de determinado profissional poderá ser lembrada no futuro, por suas decisões e mesmo por suas obras? Pois bem, quando se fala em implantação de sistemas, nem sempre deixar a sua marca é uma boa coisa, principalmente se no futuro ela for identificada como “aquela” customização responsável por milhares de horas de adaptação, que custou muito a ser construída, mais ainda para ser testada, pois estava fora do escopo original dos módulos de teste original, e que contribui para o aumento de custos de sustentação, haja vista ter sido responsável por afastar o sistema de seu modelo de implementação original? Pois bem, isso é a customização, ao seu oposto, chamamos de OOTB (Out Of The Box), que significa que determinado sistema ou software funciona imediatamente após a instalação, de acordo com sua configuração padrão, sem demandar nenhum tipo de adequação no seu código.
Nenhum sistema pode ser implantado e principalmente integrado a um ambiente de TI complexo, composto por avançados ambiente de BI, de CRM, de ERP e de diversas automações possíveis, sem receber um mínimo de customizações, mas o segredo é manter essas customizações, de fato em uma quantidade a menor possível, caso contrário, certamente diversas dores de cabeça serão sentidas no futuro, dentre elas a possibilidade de sequer conseguir-se implantar o sistema, pois não raro, a quantidade de customização é tão grande, que acaba por inviabilizar a conclusão do projeto.
Quando durante a implantação de projetos ouve-se muito a frase “ ah, mas você não entende como as coisas são feitas por aqui....o jeito como foi pensado na sua ferramenta não funcionará, precisaremos customizar...” bem, prepare-se, pode ser que esteja se preparando para criar um ponto de inflexão ou obstáculo ao término de seu projeto.
Se por outro lado, houve uma prospecção adequada de produto, buscando uma solução que mais se adeque ao seu negócio e à sua operação, certamente sua empresa poderá se beneficiar da utilização da maior quantidade possível da facilidades OOTB, ou seja, facilidades nativas da ferramenta, que serão implantadas mais rapidamente, e terão maior facilidade de atualização e suporte no futuro, pois estarão alinhadas e semelhantes à implantações desta ferramenta ao redor do mundo, o que garantirá economia de escala, padronização de processos, implantação de processos novos e alinhados a melhores padrões da indústria, etc, etc.
Agora se de fato essa questão de “deixar a sua marca” realmente mexeu com você, bem não se desespere, existem outras áreas em que isso é muito valorizado, como o campo literário, hollywood, a dança...

domingo, abril 14, 2013

Produtividade em TI - O que realmente faz sentido


Acredito que todos nós tenhamos cases para lembrar, de projetos que implantaram ferramentas ou funcionalidades que, apesar de garantidas pelo fornecedor ou parceiro de tecnologia, trariam grandes ganhos e benefícios, ao final do projeto representaram apenas custo e esforço de implantação, não se enxergando os esperados benefícios constantes do escopo do projeto.
Se você lembrou de algum projeto em que atuou direta ou indiretamente, onde tenha ocorrido situação semelhante, não se desespere, você não está sozinho, infelizmente!
Nem sempre os benefícios esperados de um novo sistema, ou mesmo de alguma funcionalidade existente em um sistema que estamos implantando são relacionados adequadamente aos fluxos e processos internos que precisamos adequar ou desenhar, para que se consiga obter o máximo de retorno da funcionalidade em questão, nesta situação, o que normalmente ocorre é que ou se abandona a implantação ou mesmo se faz a implantação até ao final, para então descobrir que todo o esforço foi em vão, pois os fluxos internos dos negócios não foram desenhados para ficarem alinhados aos novos processos e sistemas. Fica aquela sensação de improdutividade ou mesmo de termos perdido nosso tempo, implantando algo que ao final, apenas aumenta nosso ciclo de atividade, não representado nenhum benefício real.
Ontem retornando de uma viagem internacional, vinha de uma experiência de produtividade grande durante a viagem, onde pudemos fazer a reserva, escolha de assentos e mesmo o check in de forma antecipada e pela internet, escolhendo para receber nosso bilhete de embarque pela internet, pela nuvem, no nosso celular ou mesmo tablet, tudo isso de forma automática e eficiente, poupando tempo e recurso dos usuários. A reserva do hotel também foi feita de maneira eletrônica, assim como as reservas de visitas e passeios que fizemos.
Qual não foi minha surpresa quando, de retorno ao Brasil, aproveitei desse embalo de interatividade e eficiência, e enquanto aguardava meus colegas passarem pela alfândega no Brasil, fiz meu check in de forma também eletrônica, pelo meu celular, escolhi assento e salvei meu bilhete de embarque em meu smart phone, para posterior embarque em Congonhas. No entanto quando fui embarcar, ouvi do agente da empresa que estava verificando nossos documentos: “ Esse sistema de embarque via mobile somente atrasa o embarque...”. Experiência frustrante não é mesmo?
A leitora de código de barras estava desligada, o profissional que deveria estar preparado e treinado para atuar no meu embarque não conhecia como deveria proceder, e ao final, olhando na tela de meu celular, praguejou mais uma vez contra a “turma de sistemas” de sua empresa, anotou o número de meu assento na palma de sua mão com caneta, me lançou um olhar ameaçador que me desencorajava a novamente ousar utilizar aquela “facilidade” que sua companhia me oferecia, e bufando finalmente disse: “boa viagem!”

domingo, março 31, 2013

Produtividade em TI – Agregando valor


Dentro do tema de melhorar a produtividade de TI, entendo que o mais nobre seja realmente trazer o maior benefício com o investimento realizado. Este é a disciplina mais nobre porque talvez trate-se do objetivo mais refinado da TI, visto a dificuldade que é o seu desenvolvimento, mas que, se bem gerenciado, permite extrair o maior valor possível do projeto e/ou investimento realizado.
Os senhores Richard Hunter e George Westerman, VP do Gartner e pesquisador do MIT respectivamente, dentro de um estudo que elaboraram em 2009, e que encontra-se relatado no livro “The Real Business of IT”, mostram que agregar valor não é somente fazer os projetos certos, mas é também deixar de fazer os projetos “errados”. E por projetos errados, entendam que sejam aqueles que por exemplo, não estão totalmente aderentes ao modelo organizacional ou ao design de processos de sua organização. Neste sentido, alguns projetos, mesmo que sendo bons projetos, provavelmente se implantados, não encontrarão as condições necessárias para que floresçam e tragam os frutos pretendidos (que atire a primeira pedra quem não viveu ou conhece pelo menos um projeto de BI que ao ser implantado não tenha trazido exatamente os resultados que pretendia, ou que não é usado na sua totalidade).
Outra armadilha comum é o projeto para implantação de alguma ferramenta, seja ela de processo, de negócio ou operacional, que apesar de efetiva e de possuir cases de sucesso, não é aplicável ao seu modelo de negócio, ou que não possui equipe preparada (metodológica e culturalmente) para utilizá-la. Neste caso, na melhor das hipóteses, o que se consegue é uma implantação sem muito desvio, mas que dificilmente trará os benefícios pretendidos, até porque o problema a que a ferramenta se prestava a resolver, não está sequer aceito pela empresa como um problema ou então tem muitas outras prioridades na área operacional, que antecedem a utilização de uma nova ferramenta.
Outra armadilha que existe nas organizações, são os desejos isolados de usuários ou de áreas cliente, que apesar de reais, por vezes não estão devidamente alinhados à estratégia da empresa. Mas este é um tema para a próxima semana. Nos vemos lá.

domingo, março 24, 2013

Produtividade em TI


O tema produtividade em tecnologia nem sempre é interpretado de forma adequada. O risco de darmos importância demasiada aos custos em detrimento de outras ferramentas de produtividade é real, e talvez advenha do fato de que melhorar a produtividade através de corte de custos seja sempre o passo inicial, mas manter-se nesta única estratégia, além de ineficiente, pode ser extremamente arriscado para a continuidade e perenidade de nossos negócios.
O tema é vasto e abrangente, então pretendo dividi-lo em capítulos para que possamos abordar de forma mais completa e adequada os pontos que mais impactam nossa produtividade no mundo dos negócios, e de como a área de TI pode auxiliar ou mesmo ser a principal aliada da área de negócios, frente a estes desafios.
Que atire a primeira pedra, quem nunca ouviu a célebre frase de que “a área de TI deve agregar valor aos negócios”, mas afinal de contas, o que é agregar valor aos negócios? E quanto desse valor seria suficiente? Dez por cento ao ano? Dobrar a produtividade de vendas anualmente? Melhorar a qualidade das tomadas de decisão, permitindo visão real e transparente de todos pontos críticos e estratégicos da organização em tempo real, através de ferramentas poderosas de BI (Business Intelligence)?
Em TI, tudo é possível de ser feito (ou algo bem próximo disto), o ponto que focaremos é se tudo DEVE mesmo ser feito, pois o simples fato de que algo seja possível de ser feito, não é garantia isolada de que o faremos e/ou tiraremos o devido benefício almejado das implantações que planejamos.
Pela absoluta importância e necessidade de controles mais rigorosos de projeto, já que nosso ambiente está ficando cada vez mais complexo, é natural que a disciplina de governança esteja cada vez mais desenvolvida e com metodologia para acompanhar e controlar praticamente todos os passos de um projeto, da sua concepção ao fechamento do mesmo, através de suas “lições aprendidas”. Mas até que ponto esta governança é positiva e a partir de que ponto começa a onerar desproporcionalmente o custo de implantação de projetos?
Como podem ver, a ambição desta série de posts é grande, e será tão melhor explorada, quanto mais inputs e sugestões tivermos de vocês, portanto mãos a obra no sentido de organizarmos nossas ideias ao redor deste tema, para ao final, termos material de valor em mãos, com potencial de alavancar nossa produtividade.
Abraços e até lá! 

sábado, fevereiro 23, 2013

Em tecnologia, o alvo é sempre móvel...


Nos meus tempos de criança, sempre ouvia de minha mãe a frase emblemática “você não tem sossego menino!”. Pois bem, não tinha sossego à época, e como escolhi como profissão a tecnologia, continuo sem tê-lo até o presente momento.
Quando comecei minha carreira na área de projetos, o desafio de um país de dimensões continentais como o Brasil, era a rede de acesso. Não se poderia falar em inclusão sem que tivéssemos uma rede de telecomunicações que cobrisse todo o território nacional. E a bem da verdade, na década de oitenta, não cobríamos bem nem nossas regiões metropolitanas, que dirá o território nacional. Nesta época, projetávamos redes metálicas, muuuuuuuuuito longas e as centrais telefônicas que nos conectavam era eletromecânicas.
Depois iniciamos a era das telecomunicações digitais, onde sistemas de comutação e transmissão digital, multiplexavam nossa voz e a transmitiam digitalmente. Neste momento as redes já estavam mais abrangentes, e o desafio era o processamento de chamadas. Lembro-me de fazer projetos de processadores de chamada com capacidade de processar sessenta mil chamadas na hora de maior movimento (60.000 BHCA). Hoje nossas estruturas de laboratório processam milhões de chamadas em arquiteturas muitíssimo mais simples. Processar atualmente já não é problema.
Depois vieram o encurtamento das redes, para permitir o fluxo de conexões banda larga, e simultaneamente as telecomunicações sem fio se espalharam de vez, chegando ao ponto de no momento termos mais linhas celulares no Brasil do que habitantes.
E as redes fixas de banda larga, ganharam mobilidade e agora temos velocidades espantosas através das fibras óticas. Não temos mais problemas com a rede, com a velocidade de transmissão (uma única fibra ótica tem capacidade de escoar todo o tráfego  do Brasil) e nem com a mobilidade.
O problema agora é processar não as conexões propriamente ditas, mas processar as ofertas cada vez mais complexas (bunbles, combos, descontos, franquias, telefonia fixa com TV, telefonia móvel com banda larga, etc, etc), sem falar que não temos mais apenas clientes com endereço físico (residências) temos clientes móveis, que se deslocam não apenas nacionalmente, como ao redor do mundo.
E as redes agora se interconectam e se misturam, de forma a oferecer experiências nunca antes pensadas ao clientes de telecomunicações. Conexões podem começar em uma rede móvel, passar por uma rede IP e terminar em uma rede fixa, de banda larga metálica ou ótica, tudo isso de forma transparente e dinâmica.
Quando acessamos uma rede de dados, não importa se o serviço prestado é de voz, de vídeo, de áudio ou se tudo misturado, pois a rede deve ser agnóstica ao serviço prestado por ela.
A preocupação com a qualidade das conexões nunca esteve tão em voga, e neste sentido a Anatel cumpre papel importante cobrando das prestadoras de serviços, índices de qualidade cada vez mais elevados. Com a popularização dos acessos, houve também uma democratização das comunicações, percebida facilmente pela queda no preço dos serviços prestados.
E agora o desafio é saber, dentro de um oceano de dados (quantidade de chamadas, quantidade de minutos falados, região que nosso cliente se encontra, tipo de serviços preferidos em cada momento e em cada localidade, disponibilidade instantânea das diversas redes de comunicações, milhões de clientes em dezenas de redes distintas, e etc, etc) em saber como oferecer o melhor serviço, de forma simples e rápida. Esse é o desafio do BIG DATA e das complexas estruturas de analytics.
Não é mais um problema de tamanho, mas de velocidade e de acuracidade na tomada de decisão.
Bem, como podemos perceber, não teremos sossego tão cedo....ainda bem!

terça-feira, janeiro 29, 2013

Quando mais do mesmo já não é suficiente


Em outubro do ano passado, lamentamos um ano da morte de um dos maiores visionários que o mundo de tecnologia nos ofereceu. E como vai a Apple, desde então?

Tim Cook, sucessor de Steve Jobs, vem fazendo seu melhor, mas convenhamos, substituir Jobs não é tarefa simples nem corriqueira. Apesar dos lançamentos do Ipad 4, Iphone 5 e mesmo dos processadores Intel core i7 e telas de retina nos MacBook Air e Pro, não se vê mais inovações disruptivas na empresa da maçã.

O valor das ações da empresa subiram mais de 70% após um ano da morte de seu fundador, mas nunca mais veremos as apresentações entusiastas de Jobs, ao invés disto, presenciamos um comportado Cook desculpando-se pelos erros de seu produto de localização em mapas e sugerindo ao público que utilizasse produtos do concorrente.

Não sou "applemaníaco", mas como usuário de tecnologia e profissional da área, lamento ter percebido que a tecnologia perdeu um pouco de seu brilho :-(

segunda-feira, janeiro 14, 2013

Analytics pode ser produtividade na veia


Na área de tecnologia a velocidade de introdução de inovações é vertiginosa. Muitas destas inovações terão aplicabilidade instantânea e provocarão grandes avanços na produtividade dos processos a que forem aderentes, outras, porém, não passarão de promessas, quer seja porque de fato não terão aplicação prática ou porque foram apenas implementadas superficialmente, sem terem os processos sobre os quais se apoiam, de fato analisados e adequados, como seria de se esperar de uma promessa inovadora.
A área de analytics, nada mais é do que a análise com muita INTELIGÊNCIA, de uma série de dados e registros, de forma a que consigamos transformar dados em informações úteis para a tomada de decisões. Para tanto lança-se mão de poderosas ferramentas de TI (extratores de dados, bancos relacionais, grandes capacidades de armazenamento e processamento, para poder-se trabalhar com dados grandes em capacidade e em estrutura (bigdata). Estas ferramentas devem ser aliadas ou trabalhadas por equipe com profundo conhecimento na área de inteligência de negócio, com formação estatística, pois o risco de perdermo-nos no mar de dados que será gerado é imenso,  e se não conseguirmos separar o joio do trigo, há o risco de ficarmos com nossa tomada de decisão mais lenta com a aplicação do conceito de Analytics, do que sem ele, quando as decisões eram tomadas na base do “feeling”.
Na área de Telecomunicações, o  conceito de Analytics surge como um passo a frente do que chamávamos de Inteligência de Negócios, pois com o aumento da complexidade no cenário tecnológico, concorrencial e regulatório, as práticas até então utilizadas tem se mostrado insuficientes, e para tanto há que se desenvolver novas tratativas.
Como existem boas ferramentas no mercado, bem como consultorias preparadas para implantá-las, o risco reside na visão simplista ou reducionista deste processo, o que acaba normalmente redundando na subutilização de sistemas poderosos e, por conseguinte, na perda de investimento e/ou má utilização de recursos.
Outro erro frequente, com diversos exemplos no mercado mundial, é da “carroça empurrando o cavalo”, isto ocorre quando a área de TI da empresa, por entender que trata-se de tecnologia e processo com potencial de grande captura de benefícios, acaba por liderar o processo, literalmente empurrando para as áreas clientes as soluções que, apesar de adequadas, nem sempre encontram as áreas organizadas, do ponto de vista de processos e estrutura, para tirar o máximo proveito das mesmas. Também neste caso, não se deve esperar os melhores retornos do investimento feito.
A solução é procurar a correta interpretação do potencial desta prática, bem como as reais necessidades da empresa, aliado a um estudo aprofundado da melhor estrutura para implantação deste modelo, que tem grande potencial de diferenciar sua operação.

quinta-feira, novembro 08, 2012

R.I.P. NetMovies


Bem não tinha como não experimentar antes de criticar, mas confesso que desisti do NetMovies.
Quando conheci o conceito do NetFlix, achei o máximo, a ideia de acessarmos online a qualquer filme e ainda podermos receber em casa os filmes que escolhermos em DVD ou Blu-ray me encantou, pena que no Brasil o modelo de negócio era somente o de acesso online.
Então conheci o NetMovies, site brasileiro (apesar do nome), fundado pelo paulistano Daniel Topel, que baseou seu serviço no que era oferecido pela NetFlix nos Estados Unidos, onde além de acessar a grade de filmes online via internet, ainda é possível recebe-los no conforto de seu lar. Bem até aí tudo bem, não tão inovador, mas atendendo uma necessidade de consumo.
Confesso que de início não acreditei que o modelo de negócio fosse sustentável, pois me parecia que sustentar esta operação pelo valor que se praticava não seria viável, pois no início pagava algo em torno de R$7,00 (o equivalente ao aluguel de um Blu-ray) para acessar qualquer filme na internet, e ainda receber até 4 filmes por mês em minha casa. Imaginava que o valor cobrado não seria suficiente para suportar os custos de programação mais o envio, recebimento e manutenção das mídias, pois é necessário uma operação logística para operar nas principais cidades do Brasil, mantendo algum estoque, entregando e recebendo DVDs e Blu-rays. Pois parece que eu estava certo, como o modelo financeiro não parava mesmo em pé, quem sofreu foi a qualidade do produto. L
De início percebi que a funcionalidade do player NetMovies não era tão boa e amigável quanto o NetFlix, não permitia por exemplo que parássemos o filme a qualquer momento e voltássemos depois para retomar o filme exatamente no momento em que interrompemos, sempre que interrompia o filme, ele voltava do início, e para piorar a situação, o player não tinha a funcionalidade de avanço acelerado do filme e como por vezes o filme trava, temos que reiniciar a apresentação desde o início. O Player para PC é mais amigável, mas assistir pela SmarTV é muito mais confortável, por isso digo minhas impressões com base nesta mídia de visualização.
E por fim, o que era para ser um diferencial para o modelo de negócios aqui no Brasil, que é a entrega domiciliar de discos, não permite agendar horários e como o condomínio em que resido não permite entrega e recebimento através dos porteiros, na prática solicitar um DVD significava ter que ficar o dia inteiro esperando o momento de disponibilidade do entregador, sem falar que a qualidade da mídia deixava a desejar, pois vários filmes que solicitei travaram nos momentos mais excitantes dos filmes, levando-me em algumas vezes a sair de casa e buscar o mesmo DVD na locadora convencional, apenas para matar a curiosidade de terminar de assistir ao filme!
Placar final: NetFlix 8 x 0 NetMovies!

sábado, agosto 04, 2012

Não basta ser bom


Não sei quantos de vocês usaram ou pelo menos manusearam um Zune da Microsoft, eu tenho um e confesso que fiquei muito triste com a notícia da Microsoft que deixaria de fabricá-lo.
O meu tocador de MP3 da Microsoft possuía várias vantagens sobre o iPod da Apple, pois apesar da idade, já possui uns cinco anos de idade, tem o dobro da memória que o iPod da mesma época (120 GB), pode ser usado como winchester externo, permite transferência de arquivos de músicas entre usuários através de WiFi, sem nenhum tipo de limite ou restrição, apesar de também possuir uma loja online, a exemplo da iTunes, permitia que gerenciássemos todo o seu conteúdo pelo Windows explorer e permitia conexão online com Windows Media Player, Xbox 360 de forma nativa, desde sempre, ao passo que a Apple somente liberou este tipo de conexão anos mais tarde, e mesmo assim somente para os usuários que tivessem o Apple TV. Bem, de quebra, custava mais barato!
Infelizmente a vida de quem briga com a Apple não é fácil. Ele não possuía o mesmo design moderno e arredondado do iPhone e do iPod, e nem era a jóia da coroa de um cara chamado Steve Jobs.
A Microsoft está prestes a explorar no mercado o Surface, tablet que virá para brigar com o iPad. Não sou fã da Microsoft, e muito menos deixo de utilizar vários produtos da Apple, inclusive o próprio iPod, iPhone e iPad, mas quero crer que seria melhor o mundo se houvesse mais concorrência, e não a total dominância de uma única marca (diga-se o mesmo da Microsoft com o Windows), e vamos que vamos.

sábado, junho 23, 2012

Uma imagem vale por mil palavras

Em 17 de março postei um texto, que refletia um pouco minha indignação com os padrão de tomadas que adotamos. Aliás, adotar padrões diferentes do resto do mundo parece ser um vício nosso...
Ontem recebi uma imagem de um amigo, também indignado com essas discussões de padrões brasileiros, que sem dúvida expressa de forma muito mais impactante o que estamos vivendo do que o texto que fiz (dou o braço a torcer), e vamo que vamo...

sábado, maio 12, 2012

Net Movies


Em fevereiro escrevi que estava testando o NetFlix conectado a uma smart TV Samsung. Terminada a configuração de todas as bugigangas (HD externo, WiFi, Home Theater e TV) família feliz pela qualidade das imagens, mas com um gostinho de “quero mais”, face à limitação do conteúdo oferecido pela NetFlix. Como existe um forte modelo de negócio nas produtoras de conteúdo, e nesta cadeia as distribuidoras de canal aberto e fechado certamente tem mais balas na agulha que empresas entrantes como a NetFlix, obviamente não sobra muito lançamento para este último canal de distribuição, então temos que nos contentar com séries e filmes que não sejam lançamentos L .
Buscando outros conteúdos, acabei assinando a Net Movies, empresa nacional, que possui um modelo de atuação semelhante ao que a NetFlix faz nos Estados Unidos, ou seja, complementa a oferta de conteúdo via streaming de vídeo (conteúdo assistido via Banda Larga na internet) com a locação de DVDs e Blu-Rays, entregues no conforto de sua casa, sem prazo para assitir, sem multas e o que é melhor, mais barato que uma locação em uma locadora convencional ou a compra esporádica de algum conteúdo via pay per view (que ainda são caros no Brasil). Pelo mesmo preço que o NetFlix (R$ 15,00) além do conteúdo online, ainda se acrescenta a possibilidade de receber DVDs em casa com horário marcado, e em uma promoção, ainda tenho 50% de desconto ao pagar com o cartão de crédito de administração do Bradesco.
É claro que o conteúdo ainda não é atualizado, a exemplo do NetFlix, mas entendo que seja uma questão de tempo, pois como a barreira de entrada deste serviço é muito menor (não temos que comprar nenhuma caixinha, assinatura básica, sem custo de instalação, além do preço ser substancialmente mais baixo) provavelmente ao atingir-se uma base de assinantes mais expressiva, passarão a ganhar maior importância na cadeia de distribuição das produtoras, e com isso começarão a receber alguns lançamentos, e com  o tempo estarão tão ou mais competitivas que as operadoras de conteúdo por assinatura convencionais (via satélite, MMDS ou Cabo).
Mais uma boa notícia para os clientes, que terão mais uma opção de conteúdo de boa qualidade à sua disposição.

sábado, março 24, 2012

Tão evoluídos e tão atrasados



Estou no aeroporto de Congonhas, aguardando uma brecha no mau tempo de Uberlândia, que me permita o embarque para esta cidade. Se o tempo não melhorar iremos para Ribeirão Preto e de lá seguiremos de ônibus, que belo programa hein?
Este primeiro parágrafo já iniciou um post mais antigo deste Blog, e serve para ilustrar que, apesar de todos os desenvolvimentos tecnológicos a que temos acesso diariamente, ainda continuamos, como diria nosso amigo Belchior, como nossos pais quando a questão é tecnologia de aeroportos :-(
Fico imaginando se, na Inglaterra, dependêssemos da mesma tecnologia que temos no Brasil, haveria a metade dos vôos, face a incidência de neblina que temos por aquelas bandas. E o mais cruel, é que pagamos uma das tarifas mais caras de passagens aéreas do mundo, mas em compensação, o serviço que recebemos...
Ontem, olhava angustiado por mais de 20 minutos, várias malas passarem na esteira do aeroporto internacional Franco Montoro (apelido do aeroporto Internacional de Guarulhos), que não a minha, e de quebra ouvia uma senhora reclamar que sua mala sempre desaparecia e pensava cá com meus botões: Ao invés de pagarmos em torno de R$ 100,00 por um seguro bagagem, poderíamos pagar R$ 5,00 por um chip que fosse fixado na mala, e que tivesse nossa identificação (endereço, número de passaporte, etc, etc) e que permitisse o encaminhamento automático da mala, que impediria que algum desavisado ou amigo do alheio saísse com minha mala do aeroporto, por engano ou “olho grande”, sem falar do problema mais frequente que é a mala adquirir vontade própria, indo sozinha para um destino que não é o seu, ninguém sabe como.
Pode ser que não adotemos estas tecnologias mais modernas, mais baratas e mais eficientes de controle de bagagens para garantir o empregos de milhares de funcionários nos aeroportos e companhias aéreas, isso seria compreensível até, mas se fosse assim, porque não nos atenderiam de forma mais cortês? Ah, com você não é assim? Eles sempre são corteses? Desculpe então minha falta de sorte, minhas experiências é que não tem sido tão boas.
Meu celular fala com todo mundo e com todas as coisas. Meu tablet, se esqueço de desligar, quando vejo está cheio de novas informações recebidas via feed, meu carro fala com o controle de pedágio, qualquer aparelho de barbear que se preza, fala com as saídas magnéticas dos supermercados, para evitar que pessoas esqueçam de pagá-los ao irem embora, assim também baterias, alguns cosméticos e qualquer outro produto que possa custar mais que algumas dezenas de reais. Então porque somente minha bagagem não pode ter a mesma sorte, de ser protegida por um chip?
Se não consigo nem garantir que receberei um mala cheia de roupa sujas, depois de uma semana de viagem, querer que o aeroporto de minha cidade esteja preparado para uma simples neblina pode parecer demais não?
Em tempo, enquanto espero meu vôo ser autorizado, ouço que também os aeroportos de Belo Horizonte e Curitiba encontram-se fechados em função das condições meteorológicas, para que não pensem que somente nossa cidade é premiada com estas condições.

sábado, março 17, 2012

Fios, tomadas e padrões



Quando comprei o primeiro desktop para meu filho, fizemos a instalação no escritório, e para tal foi necessário, além da alimentação do próprio PC, também a alimentação do monitor (que na época era um tubo pesado para caramba), e também a alimentação das caixas de som e da impressora, e dá-lhe fios para o teclado, para o mouse, e para as extensões de USB.

Depois minha filha ficou mais velha, também queria seu PC, toca duplicar tudo que já existia, e além disso já tínhamos banda larga ADSL (que também tinha sua tomada de tensão), para ligar os dois PCs na mesma banda larga, também adicionei um pequeno Hub, e posteriormente um roteador para o Wi-Fi.

Além do inferno que era fazer todas as ligações, vivia com medo de que alguém desconectasse alguma coisa atrás da estante, pois certamente precisaria de algumas gerações para fazer todas as conexões de novo (não citei os conversores 110 x 220V que sempre existem e os filtros de linha que a esta altura já eram dois além das réguas de alimentação....uma pequena usina de energia e ácaros, guardada atrás da estante).

Bem o tempo passou, meus filhos cresceram, o primeiro desktop deu lugar para um Lap Top e com ele as conexões WiFi começaram a devorar parte do emaranhado de cabo que existia nas minhas instalações, o fato do Lap Top vir com webcam integrada, sem mouse ou teclado ou caixas de som adicionais levou outro tanto...depois percebi que não precisava mais do hub...depois nem lembro mais para que instalei o roteador, já que o WiFi tinha roteador, e com isso aposentei os filtros de linha as réguas, e finalmente assassinei o último Desktop, e com ele, pude finalmente livrar-me de quase todos os cabos :-)


Seria ótimo se não tivessem mudado os padrões das tomadas, agora o tablet fala com a TV, esta por sua vez conecta-se à banda larga, que gerencia o som da casa, se conecta ao celular, os filmes assistidos ficam na nuvem, as fotos também, e o que é melhor, não configuramos mais nada, basta ligar um no outro que eles se falam, se entendem e começam a trocar informações...mas as tomadas....ah as tomadas...três pinos redondos que não entram na tomada da parede, que são tres furos mas não redondos. Outros equipamentos tem somente dois pinos redondos ..ou seriam chatos? Chato é termos o que é mais difícil e complicado funcionando direitinho e termos que ligar tudo nos velhos adaptadores, também conhecidos como "T" ou "Benjamin", é a boa e velha ABNT trabalhando para que tenhamos tudo funcionando direitinho. Ou não?!?

domingo, março 11, 2012

Quando o COMO é mais importante do que o QUÊ





Estou lendo o livro “Como” de Dov Seidman, que apesar do prefácio ter sido escrito por Bill Clinton, que não é exatamente um ícone de integridade, mostra de uma forma inequívoca que estamos vivendo um momento em que o formato tem sido encarado de forma tão ou mais importante do que o próprio conteúdo, e que valores como a integridade, honestidade e respeito ao próximo, apesar de sempre terem sido importantes, em tempos de sociedade conectada (MundoConectado) assumem importância ímpar.
Assim a lanchonete que confia nos seus clientes a responsabilidade de pagarem e pegarem diretamente no caixa o troco que lhes cabe, ganha competitividade e preferência de seus clientes (será que alguém comerá 150 coxinhas apenas porque é possível não pagar por elas?).
A cantora Rhaissa Bittar e o escritor Paulo Coelho (para citar apenas dois exemplos desta nova época) ganham a simpatia de seu público ao disponibilizarem todo o seu conteúdo gratuitamente na internet.
O Palestrante e escritor Luciano Pires, distribui seu conteúdo através de programas de rádio e podcasts, gratuitamente. Em sua home page existe a opção para que os ouvintes deixem a contribuição que julgarem adequada, pelo conteúdo que recebem.
O Paulo Lima disponibiliza o conteúdo de suas revistas (a Trip e a TPM) gratuitamente na loja Apple, no iTunes e em downloads a partir de seu próprio site. São mais de 25 anos de entrevistas com os personagens mais inusitados e impactantes de nossa sociedade.
A mentira nunca teve pernas tão curtas... O curso não feito e relatado no CV é descoberto em segundos. O produto que propala qualidades inexistentes é desmascarado assim que colocado no mercado, por meio de redes sociais. O trailer do filme que é melhor que o próprio filme é exposto de tal forma na internet, que todos são avisados do embuste, e assim podemos escrever folhas e folhas de exemplos de que os nossos valores sempre existiram, mas que graças ao tanto que nossas sociedades estão conectadas, essas informações correm o mundo em questão de segundos, ou de “clickes”, obrigando empresas a se retratarem, administradores a se demitirem após seus balanços mostrarem-se não tão sólidos quanto suas apresentações pressupunham.
E com tudo isso acontecendo ao mesmo tempo, ainda tenho que tolerar uma cantina que insiste em conviver com filas para sermos atendidos, sendo que tudo o que precisamos, que não custa mais que um par de reais, está ali, logo ao alcance de nossas mãos, e que poderíamos simplesmente pegar o que queremos e deixar o pagamento correto na caixa, melhorando a performance do lugar, deixando o proprietário com um lucro maior, os clientes mais satisfeitos (pela confiança e pelo tempo economizado), mas não, ao invés disso vejo filas, funcionários mal humorados pela dupla responsabilidade (servir e cobrar). Meu amigo Dov, seria bom que viesse dar por essas bandas para nos ensinar um pouco sobre o Porque o COMO fazer algo significa tudo...nos negócios e na Vida.

sábado, fevereiro 25, 2012

Internet na TV



Aproveitei um desk top que tinha em casa, com uma configuração já ultrapassada, para usos mais nobres (todos usos que meus filhos precisavam como downloads, games, MMRTG, P2P, fotos, storage de milhares de videoclips e de zilhões de música, etc) e instalando teclado e mouse sem fios e uma interface WiFi (já que naquela época lugar de Banda Larga era no quarto ou no escritório e não na sala de TV), transformei-o em uma estação multimídia para a família, meio ultrapassado, vá lá, mas ainda assim deu-lhe uma sobrevida e nos divertíamos vendo conteúdos adequados para toda a família, basicamente um ou outro filme "downloadeado", estações de rádio que gostávamos de ouvir quando estávamos em São Paulo e um ou outro conteúdo interessante no YouTube.
Fomos felizes com esses usos básicos, até que assinamos o NetFlix. Deste momento em diante, tornamo-nos heavy users, e a idade de meu velho desktop se fez presente...
Ainda tentamos a conexão via Xbox e Wii, mas apesar de funcionar, não era tão confortável como ter um teclado e um mouse para selecionar o que queríamos. Quando decidimos trocar o equipamento, fiz as contas e conclui que era mais barato comprar uma Smart TV, do que investir em um novo DeskTop, desta vez preparado para o uso que queríamos fazer do mesmo.
Decisão tomada, fui à caça, comprei uma smart TV e a conectei na internet (desta vez, lugar de banda larga é na sala, e de lá, via Wi Fi, conecta-se o resto das traquitanas: iPhone, tablets, androids, laptops e o escambau), click no Smart Hub, e pimba na gorduchinha, lá está o bom e velho NetFlix, mais amigável, com todas as funcionalidades no controle da TV e que por estar conectada no Home Theater fica com uma boa qualidade de som.
Conecto nosso HD externo na TV, e tenho acesso a todas as fotos, filmes e músicas que nossa família colecionou nos últimos 22 anos. :-)
Youtube com leanback, entre um filme e outro uma zapeada básica no Facebook, nossas séries prediletas (Dexter e Criminal Minds).
E o que é melhor, somando-se os custo desses equipamentos e dividindo por doze, ainda sairá mais barato que uma mensalidade da Sky, ótimo para nós, que teremos mais um competidor na briga pela nossa audiência. Bons tempos esses não?!?


Em tempo, pago R$ 15,00 para assistir a tudo que quiser no NetFlix.

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Tablets II - A revanche



No primeiro post deste ano, comentei sobre a decisão da escola de meu filho em utilizar tablets para que os alunos tenham acesso a conteúdos digitais e possam de uma forma mais interativa, prepararem-se melhor para o vestibular. Abordei a questão do conteúdo versus o meio que o transporta ou o disponibiliza, defendendo que a principal parte da discussão deveria se dar em torno do conteúdo que se transmite a nossos filhos e não ao meio que é utilizado para isso. E que se tínhamos já meios mais modernos, que os utilizássemos, sem contudo, começarmos uma briga eterna contra o pobre Tablet ou a internet, como se ao invés de facilitadores, tivessem se tornado os vilões da história, pois é assim que são pintados, por aquelas escolas que relutam ainda em aceitar estas inovações.
No início deste mês, vi uma reportagem em que o MEC declarava que mais de 60.000 escolas públicas do ensino médio, disponibilizariam a seus cerca de 600.000 docentes, dispositivos tablets para acesso a internet e conteúdos especialmente desenvolvidos com fins educacionais, pois sabiamente, acreditam que os alunos da rede pública somente serão incluídos digitalmente se os seus professores também o forem.
Celebro a decisão do Ministério da Educação, que desta vez, colocará a rede pública de ensino à frente de uma série de escolas privadas. É melhor as escolas refratárias à algumas modernidades, começarem a refletir sobre seu papel na educação de nossos filhos (já digo educação ao invés de formação, pois esta cabe mesmo é aos pais, enquanto aquela, mal e mal vem sendo perseguida pelas escolas), caso contrário veremos em breve escolas voltarem novamente a utilizar quadro negro.
Não vou cair em tentação de fazer o que estou criticando, ou seja o problema não é o quadro negro, mas sim o fato de que enquanto os professores o usam, inevitavelmente estarão de costas para os alunos e de frente para o quadro, o que convenhamos, não é uma postura adequada para uma profissão (professor) que tem por expectativa melhorar nossa sociedade através da aplicação de bons costumes, já que a melhor maneira de educar, é o bom e velho exemplo, e é no mínimo complicado, passar bons exemplos de costas para a sala de aulas...

segunda-feira, janeiro 30, 2012

Nadando contra a corrente



Julian Assange foi preso em dezembro de 2010 sob uma acusação um tanto estranha de crime sexual. Em consequência, o seu site Wikileaks enfrentou sérios problemas de hospedagem, sendo obrigado a fazer várias migrações de sua infra estrutura, de forma a tentar manter seu serviço no ar. Também teve afetada sua arrecadação de fundos, que era feita através de bandeiras de cartão de crédito, que passaram a se negar a efetuar a operação.
Um pouco mais de um ano após, assistimos a retirada do ar do site Megaupload, que especializou-se em permitir Up e Download de conteúdos diversos (músicas, filmes e programas). Seu proprietário, Kim Schmitz foi preso, junto com outros três executivos da empresa.
Bem, não defendo que devemos permitir violações de direitos autorais, e muito menos incentivar a publicação de documentos classificados como confidenciais. Por outro lado, fica claro que existe uma demanda enorme, não atendida pela indústria atual de conteúdo, para que a aquisição de músicas e filmes dê-se de forma mais facilitada e global. Podemos citar como exemplos bem sucedidos de distribuição de conteúdo o iTunes e o NetFlix, sou usuário de ambos e acho-os ótimos.
Se por um lado a indústria se apresenta claramente contra toda e qualquer atividade semelhante ao MegaUpload e aos tradicionais programas P2P (peer to peer), por outro, não vejo um movimento na mesma intensidade no sentido de facilitar a distribuição de conteúdo, vejam que o iTunes somente recentemente abriu seu conteúdo para nós brasileiros, e o NetFlix, apesar de ser uma ferramenta barata e eficiente para distribuição de conteúdo, somente oferece filmes antigos (medo da concorrência?) e as iniciativas não vão muito mais longe do que isto.
É claro que estamos engatinhando ainda neste mercado, e que veremos ainda muita água rolar debaixo desta ponte, mas preocupa-me o fato que se gaste mais tempo tentando evitar as iniciativas que já existem, do que para desenvolver novos canais para distribuição de conteúdo, baseados em ferramentas fáceis de serem usadas e de custo adequado ao que o mercado está disposto a pagar, e que seja suficiente para remunerar toda a cadeia da indústria (produtores, autores, intérpretes, publicitários, etc).
Enquanto não desenrolamos este novelo, para lá de embaraçado, continuaremos a ver iniciativas ineficientes com o intuito de barrar a distribuição gratuita de conteúdo. Em tempo, alguém já perguntou o que os autores e intérpretes pensam a respeito? Eu tenho vários exemplos de artistas que também estão insatisfeitos com o que recebem da vendagem de seus discos e que gostariam de que fossem popularizados, afinal a intenção de qualquer artista é de distribuir ao máximo sua obra, ou não?