Domingo, Novembro 15, 2009

Tempo dos Jetsons


Mesmo quem não teve a oportunidade que eu tive, de assistir aos desenhos animados dos Jetsons, no inicio da década de 70, deve pelo menos ter ouvido falar dos seus equipamentos e suporte para a vida no futuro. Fui apresentado aos comunicadores com imagens simultânea através desse desenho, e hoje a realidade das vídeo chamadas não só é página virada, como ainda por cima nem é muito usada pelos usuários, conheço várias pessoas que nem sabem como fazer uma vídeo chamada pelo celular, e não vêem necessidade de aprender.
Ainda não temos o tele transporte e nem os robôs são tão comuns em nossos lares e nem tão simpáticos quanto a Rosie (lembravam do nome dela?).
Mas pelo menos a vida no espaço começa a aparecer em movimentos tímidos, mas já temos desde 98 uma estação espacial de baixa órbita em pleno funcionamento, sem contudo ter sido totalmente equipada, pois como está sendo montada no espaço as atividades são de uma complexidade tremenda.
Chama-se ISS (sigla para International Space Station) e resulta de acordo de investimento e pesquisa de vários países, liderados pelos Estados Unidos. Tendo sido gasto até o momento US$ 100 Bi, nos diversos lançamentos e pesquisa sobre essa estação. Ao final ela terá dez unidades habitacionais, além de espaço para laboratórios, convivência e trabalho. Por ser de baixa órbita (360 km de altitude) pode ser vista a olhos nus, já que circunda mais de 15 vezes o globo terrestre diariamente.
Poderá ser utilizada no futuro como ponto intermediário para tripulantes em viagens mais longas.
Ainda não temos muitas iniciativas quanto ao lixo espacial, já que não estamos dando conta sequer de tratar o lixo cá na Terra mesmo, Copenhague que o diga, mas há que se preocupar com o tanto de material que temos deixado também no espaço, ou será que se isso algum dia cair aqui na Terra, não sendo na minha cabeça... Acho que temos que abrir mais esse tema para podermos discutir com mais propriedade, não é mesmo?.

Domingo, Novembro 08, 2009

Mil e uma utilidades


Os que viveram a época de carros como Corcel, Chevette, Fiat 147, Brasília e outras relíquias da tecnologia automotiva nacional, certamente se lembrarão da vasta gama de opcionais que tínhamos à disposição para equipar nossos carros: espelho retrovisor do lado direito, tapetes, calha de chuva, toca-fitas, que por mais atenção que chamassem nunca eram roubados e os famigerados isqueiros ou acendedores de cigarro, que por incrível que possa parecer, naquele tempo eram utilizados para acender cigarros, incrível não?
Pois bem, no meio do caminho, lá pela década de 90, o opcional já passou a ser o próprio isqueiro, pois com as múltiplas campanhas anti-tabagismo, o hábito de fumar começou a cair, pelo menos enquanto se dirigia, mas as tomadas dos acendedores de cigarro continuavam lá em nossos painéis e consoles, servindo para nada.
Atualmente usamos essas mesmas tomadas para vários fins, menos obviamente isqueiros. Nas freqüentes viagens de carro que faço, utilizamos essa tomada para carregar nossos celulares, para alimentar o DVD, para carregar Ipods, para carregar os PSPs de meus filhos, e um dia, quando tivermos cobertura 3G ao longo das estradas, certamente utilizaremos para carregar LapTops, que permitirão conexão a internet para meus filhos distraírem-se ao longo da viagem.
Algumas motos de viagem, conhecidas como BTT (Big Trail Touring) possuem tomada idêntica, claro que não para conectarmos isqueiros, mas para carregarmos comunicadores ou equipamentos de GPS.
Pode-se imaginar que ninguém acendia mais de um cigarro simultaneamente no passado, mas atualmente em várias situações, gostaria de alimentar mais de um equipamento ao mesmo tempo no meu carro, começa a ser necessário termos mais de uma tomada no carro, ou o uso de multiplicadores, ou mais conhecidos “Benjamins”, conforme anúncio da WA.imports que por R$22,50 fornece um adaptador que disponibiliza três tomadas e uma porta USB para vários equipamentos.
Já tive alguns carros que nunca tiveram uso do isqueiro para acender cigarros, no futuro provavelmente constará da história o motivo de usarmos tomadas tão grandes para equipamentos tão pequenos, pois certamente não teremos mais a ligação lógica que temos agora entre a dimensão da tomada e a dimensão do isqueiro, à semelhança do ocorrido nas bitolas das estradas de ferro que têm dimensão exata de 4 pés e 8 ½ polegadas pois suas medidas eram para as estradas de centenas de anos atrás que eram ocupadas por bigas e carroças e esse era o espaço ocupado pela anca de dois cavalos, e como se diz, o futuro vem a galope :-)

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Sem palavras


Nas poucas vezes em que assisto telejornal, alegra-me ver notícias sobre pequenas cidades com nomes incomuns, ou algumas curiosidades a respeito de alguma receita culinária, algum hábito local de algum lugar longínquo, reportagem de alguma cidade que tenha mais homens do que mulheres ou vice-versa. Mas que utilidade terão essas notícias, vocês me perguntarão!
Comemoro esse tipo de notícia inútil, pois significa que não há nenhuma outra notícia bombástica a ser transmitida, como cenas de desabrigados de enchentes, incêndios, furacões, vítimas de carros ou homens-bombas, notícias sobre a gripe do frango, do porco ou da vaca (será que algum outro bicho já está gripado também?).
Classificaria facilmente na categoria de notícias inúteis aquela publicada no último dia 20, na qual o Inmetro informava que o mercado terá até outubro de 2010 para finalizar a comercialização de produtos eletro-eletrônicos que utilizem o atual padrão de tomadas.
Mas além de pensar na utilidade da notícia (nenhuma) temos ainda que pensar no quanto isso impacta nossa vida, e nesse momento percebemos que esse tema é um tremendo conto do vigário, pois apesar de não possuir nenhum sentido prático, a dita lei atrapalhará em muito nossa vida, senão vejamos:
Não melhorará nossa segurança, pois não fornece nenhum novo elemento estrutural ou lógico de redução do risco de choques elétricos, em suma se não prestarmos atenção continuaremos levando choques.
Em tempos de globalização, o referido padrão não segue absolutamente nenhum outro padrão utilizado ao redor do mundo. Preferimos lançar também nosso próprio padrão ao invés de alinharmo-nos com algum outro padrão já utilizado (aliás, alguém que vocês conhece alguém que já reclamou do padrão que utilizamos?).
Teremos que adivinhar o que ligaremos em determinadas tomadas de parede, pois o diâmetro dos plugues variará de acordo com a corrente do equipamento que será ligado à mesma, por exemplo a tomada do liquidificador será diferente da tomada do forno de microondas.
Quem pensa em facilitar a vida utilizando os famosos (e também perigosos) adaptadores, esqueça, pois eles terão sua venda proibida!
Pois bem, seguindo aquele ditado de que se não pode com eles, junte-se a eles, estou pensando em abrir uma fábrica de tomadas, quem sabe...?

Domingo, Outubro 25, 2009

Lógica inversa


Em fevereiro de 2008 escrevi alguns artigos para alguns jornais e postei neste Blog a respeito do leitor digital de livros, o e-book reader, que era o primeiro modelo a ser oferecido no Basil, e destaquei naquele momento que seu preço ainda não era tão convidativo, pois seria vendido a 800 reais. Pois bem, quase dois anos se passaram e no início deste mês lemos a notícia de que a Amazon começou a vender o Kindle para vários países a partir de 19 de outubro, pelo módico preço de 279 dólares, que acrescidos dos impostos (mais 285 dólares), chega às nossas mãos por algo em torno de mil reais. Entenderam a lógica? Recebemos o mesmo produto que já tinha similar sendo vendido no Brasil quase dois anos mais tarde, mas em compensação ele custa mais caro, vai entender...!
E as contradições não param por ai, fala-se em globalização o tempo todo (essa semana mesmo até piada de gato falando dois idiomas eu ouvi), a quantidade de estudantes do mundo todo fazendo intercâmbio nunca foi tão grande (e praticamente dobra anualmente), vemos escolas de idiomas crescerem do dia para a noite, dez entre dez empresas globalizadas, incluem a China em sua estratégia, seja para se defender ou para atacar, e o que lemos sobre o Kindle? Que ele será lançado em várias partes do mundo simultaneamente, menos na China, vai entender 2...!
Veja que o idioma já não é empecilho tão grande, mesmo a loja da Amazon não disponibilizando quase nenhum título em outro idioma que não o inglês, pelo menos o resto do mundo poderia ter acesso a esse conteúdo, que lá na terra do Tio Sam custa 9,90 dólares em média cada título. Também nesse aspecto faria todo o sentido lançar o produto também na China, já que se prevê que nos próximos 25 anos a China será o país onde mais pessoas falarão o idioma inglês no mundo, também nesse período a economia da China já terá ultrapassado a dos EUA, vai entender 3...!
Assim caminha a humanidade, o produto é lançado de forma tardia no resto do mundo, é vendido de forma exclusiva por um único canal de vendas, despreza todos os demais idiomas do mundo, tem seu preço elevado a patamares no mínimo discutíveis e ainda assim é objeto de desejo de vários leitores...
Ainda bem que a China vem demonstrando que quando chegar a sua vez não teremos que aprender o mandarim e nem pagar os tubos para ter acesso a mesma tecnologia que nossos amigos americanos de cima pagam de forma muito mais facilitada. Agora a dúvida que fica é se até lá já terá sido inventada uma forma de cobrar impostos dos produtos que vem da China, ou se compraremos nossa versão de leitor digital de livros através de simpáticos chineses que oferecerão o produto em bares e restaurantes, dentro de grandes sacos plásticos :-).

Domingo, Outubro 18, 2009

Cuidado com o PowerPoint!


Lendo o livro “Obrigado pela informação que você NÃO me deu“ de Normann Kestenbaum (sugerido pela minha coacher) deparei-me logo no segundo capítulo com um alerta sobre nosso tão conhecido PowerPoint. Ora todos nós sabemos que tudo que for bom e verídico nos é apresentado via PowerPoint, não é mesmo?
Na realidade trata-se de mais um alerta para que não substituamos o conteúdo pelo meio ou pela forma. Que atire a primeira pedra quem já não se viu assistindo a uma apresentação em PowerPoint primorosa, com vários recursos multimídia, animações mil, e que em determinado momento nos perguntamos qual a mensagem principal, pois depois de tantos recursos, desenhos, bullets, animações e etc, acabamos nos distanciando do objetivo da apresentação..
Que os tecnófobos não me ouçam, pois certamente diriam “eu bem que avisei de esse tal pauerpoint era coisa do gramulhão, onde já se viu?”. Na realidade acredito que haja espaço sim para um bom discurso, que seja suportado por uma poderosa ferramenta como o software da Microsoft aqui citado, o que temos que cuidar, e muito, é para não nos perdermos na infinidade de recursos e acabarmos por perder a mão da mensagem que queríamos que fosse passada para a audiência. E nem cair na armadilha de encarar o ppt como muleta da apresentação, aquela que se faltar nos derruba, imagina uma falta de energia bem no momento da sua apresentação, você seria capaz de fazer a mesma apresentação somente com o discurso na cabeça? Então não torture sua audiência lendo textos intermináveis que são projetados na tela, se fosse para simplesmente ler o apresentador seria dispensável!
O diretor de pesquisa do Google, Peter Norvig em seu Blog apresenta uma série de casos bem humorados de usos inadequados de apresentações, e ainda arrisca algumas sugestões e conselhos para que se chegue ao objetivo pretendido em uma apresentação. No mesmo Blog podemos apreciar uma sátira muito inteligente do brilhante discurso de Gettysburg, proferido pelo mais famoso orador da história americana, Abraham Lincoln feito através do PowerPoint.
Também no livro de Normann encontramos a história de que o brilhante Lou Gerstner, CEO da IBM que em 1993 transformou um prejuízo de US$ 8 Bi em um lucro de US$ 3Bi, ao tomar posse do cargo e nas reuniões de reconhecimento da empresa, pedia a cada diretor que apresentasse a situação de sua diretoria, e em dado momento levantou-se e educadamente desligou o projetor multimídia, que projetava em PowerPoint a apresentação de determinado diretor: “vamos só conversar”, disse ele. “No fundo, é o que importa. Com ou sem PowerPoint.”

Domingo, Outubro 04, 2009

Stress


Várias são as publicações e artigos relativos ao stress causado pela tecnologia, sendo que muitas pessoas chegam mesmo a desenvolver fobias relativas ao uso da teconologia, ou seja medo de utilizar a tecnologia, e por outro lado existem também o stress causado pela falta da tecnologia, já se conhece o termo Nomofobia (que vem do inglês - No Mobile) que se aplica também a falta de notebooks, laptops e outras parafernálias que passaram a fazer parte de nossa vida. Quem não tem um amigo que não consegue ficar sem olhar seus e-mails o tempo todo? Ou suas mensagens do celular (SMS), ou mesmo os programas de bate-papo online?
Tratam-se dos males que de alguma forma guardam certa ligação ou proximidade com a tecnologia (tanto pelo excesso quanto pela falta de uso da mesma).
O que me chamou a atenção nessa semana foi a notícia de tentativas de suicídio de vários funcionários da France Telecom, segundo reportagem da INFO ONLINE, 19 funcionários tentaram o suicídio desde janeiro de 2008, tendo alguns infelizmente terminado em morte, a reportagem relata que as reclamações recaem sobre as sucessivas adequações estruturais e a forte pressão no trabalho.
A pesquisadora Bethania Tanure, em seu livro “Executivos Sucesso e inFelicidade” , relata que mais de 80% dos executivos que fizeram parte de sua pesquisa relataram estarem infelizes, segundo ela os dois setores que mais produzem stress entre seus executivos são o Financeiro e o de Telecom, nesta ordem.
Estaria o stress ligado à tecnologia ou a forma como nós nos dedicamos a usá-la ou mesmo como gerenciamos nossos negócios?
Colocar a culpa na tecnologia seria como vender o sofá, em uma analogia infame da anedota em que o marido ao descobrir que fora traído decide vender o sofá para que tal incidente não mais volte a ocorrer. Nosso foco e nossa atenção têm que se voltar à melhora da nossa qualidade de vida e de como podemos produzir riqueza sem nos exasperarmos ou mesmo gerarmos mais conflitos em nossas mentes e corações, porque se existem indícios de que algo tem nos afetado, nada mais natural do que nos afastarmos do que nos molesta, ou melhor ainda, corrigirmos o que aparentemente está errado!

Domingo, Setembro 13, 2009

O bom uso da tecnologia...


Li uma entrevista com o diretor geral de criação da AlmapBBDO Marcello Serpa, um material fantástico, como era de se esperar em se tratando de um profissional renomado que teve uma vida dedicada a criação. Não poderia no entanto deixar de comentar uma percepção que me ficou quando lhe foi perguntado sobre a tecnologia de internet e seu uso na publicidade, seu comentário foi superficial e passou a impressão de alguém receoso e que via na internet alguma barreira ou mesmo algum risco para sua “arte”, pode ter sido apenas impressão, mas como se diz, a impressão é o que fica, destaco na fala do Serpa a frase de que “até usa o twitter...”.
Peguemos o exemplo do músico Gilberto Gil, ele foi um dos profissionais que mais cedo enxergou o potencial da tecnologia aliado à sua produção cultural, fez uso inteligente da mesma, não criou distinção no seu conteúdo dentro e fora da internet, muito pelo contrário, encarou essa coisa toda como potencializadora do que produzia e inteligentemente assumiu e fez uso intenso dos recursos que estavam disponíveis, o resultado pode ser visto no seu site onde diversas mídias e ferramentas convivem harmoniosamente (Orkut, Twitter, Flickr, YouTube, etc) promovendo o principal, que é o conteúdo porduzido, não deixando conteúdo se confundir com o recurso multimídia utilizado para sua divulgação.
Por fim, acho que vale a pena lembrar do case Magazine Luiza, que atualmente já é estudado em Harvard, a sua superintendente e principal executiva, Luiza Helena Trajano, fala com uma simplicidade que lhe é peculiar, que a necessidade enxergada era levar sua loja a localidades muito pequenas e que não comportariam o custo fixo de uma loja convencional, então em 1992 o Magazine Luíza decidiu criar um canal de vendas virtual, através de lojas eletrônicas, que nada mais eram do que uma televisão ligada a um vídeo cassete, que apresentava alguns produtos e que tinham sempre à disposição um vendedor que complementava as informações e completava a venda, bem tudo isso em 92, bem antes da popularização da internet no Brasil. O que vocês acham que aconteceu quando esse grupo empresarial teve acesso a tecnologia mais madura da internet? Eles já estavam mais do que preparados, já tinham uma infinidade de material para divulgar, já tinham experiência acumulada do que podia e do que não podia se fazer em uma loja virtual, eles estavam anos luz a frente da concorrência, não por acaso atualmente eles apresentam um dos maiores percentuais de faturamento online do Brasil e consequentemente com baixos custos de distribuição.
Não preciso dizer quem sabe usar as ferramentas midiáticas que estão disponíveis a todos, quase a custo zero. Também não preciso dizer o que funciona e o que não funciona, os exemplos estão aí para provar que quem tem melhor visão e não confunde conteúdo com ferramenta e principalmente tem um bom conteúdo a publicar leva uma imensa vantagem, e olha que não estamos falando de nenhum nerd com espinhas na cara e menor de idade...