domingo, março 20, 2011

Cadê a sustentabilidade disto tudo?


Existem algumas previsões que fazemos, e que certamente torcemos para que estejamos errados, pois vaticinam grandes catástrofes que geram sofrimento, desastres nas vidas de milhares de pessoas e um impacto ambiental sem precedentes.
Foi assim no artigo “ O problema estava em uma plaquinha...” de 08 de fevereiro, onde frente a um apagão geral nas hidrelétricas da região nordeste, expus minha preocupação para com o programa nuclear brasileiro, que pretende construir mais cinco usinas nucleares no Brasil até 2030 (já incluída aqui Angra 3 já em construção). O problema estava na eventualidade da ocorrência de falhas na planta nuclear com a mesma frequência com que vemos ocorrerem problemas de planejamento ou operacionais na planta de nossas usinas hidrelétricas.
O terremoto que abalou toda a infra-estrutura do Japão, no último dia 11 de março, vem mostrando ao mundo que, mesmo com uma política de segurança fortíssima, e intrincado plano de recuperação e reconstrução, o Japão vem passando por uma grande provação que, se não fosse sua garra e determinação em seguir em frente, o deixaria em situação ainda mais frágil.
Este acidente veio mostrar a necessidade de repensarmos como proveremos nossa necessidade crescente por energia.
Durante a conferência da ONU sobre mudanças no clima mundial, ocorrida em dezembro passado em Cancún, o Greenpeace apresentou um estudo denominado “Revolução Energética: A caminho do desenvolvimento limpo”, onde traça um plano de desenvolvimento energético totalmente baseado em energias renováveis com a geração de energia eólica, solar e biomassa. Além de ser uma aposta com potencial maior de geração de empregos no Brasil, ser uma energia limpa, com menor impacto na geração de gases de efeito estufa, ainda é sustentável em toda sua cadeia, pois até o momento, não descobrimos o que fazer com os rejeitos da energia nuclear, que ao final de exploração comercial deve ser fechada e blindada em silos de concreto e aço, hermeticamente fechados a atirados ao mar, esperando-se que nunca mais voltemos a vê-los, como se o mar fosse uma outra dimensão de nossa vida e que nada que ali acontecesse pudesse nos afetar. A quem estamos querendo enganar hein?

2 comentários:

Carlos Ribeiro disse...

Eu acredito que o problema está não apenas na tecnologia, mas na nossa insistência em buscar a eficiência de forma simplista, apostando em estruturas gigantescas em nome da "eficiência de escala".

É a síndrome do "too big to fail", que quase destruiu a economia mundial. Um banco gigante pode arrastar um país inteiro. E o mesmo pode acontecer com geração de energia, e com vários outros negócios.

Quem acusa a energia nuclear de ser insegura certamente não parou para pensar no desastre que seria se um terremoto abalasse as fundações da usina de Itaipu. O rompimento da barragem poderia causar um tsunami de proporções épicas, arrasando três países. Será que alguém já pensou em preparar a população rio abaixo para um cenário desses?

Gerar energia é inerentemente perigoso, independente da tecnologia utilizada. Se uma usina gera megawatts de energia, esta energia está lá armazenada de alguma forma: combustível, volume de água, material radioativo. Se este material escapa ao controle, sempre será perigoso. A única saída é reduzir o volume de cada usina e distribuir o risco. Um sistema de energia baseado em pequenas usinas - que poderiam ser eólicas, solares, ou até mesmo hidroelétricas e nucleares - conectadas a um grid inteligente, poderia solucionar este problema de forma muito mais segura, escalável e sustentável.

O problema é que este tipo de solução vai contra a linha vigente, de grandes obras e estruturas, que além de tudo envolvem muito dinheiro e poder. Ninguém parece interessado em pensar soluções mais flexíveis e distribuídas. E existem desculpas técnicas: são soluções tecnicamente inviáveis, ineficientes ou muito complexas. Mas com tecnologia, esforço e investimento, tudo isso poderia ser resolvido.

Precisamos olhar mais para a natureza, que resolve seus problemas de forma totalmente diferente: com unidades autônomas, em pequena escala, altamente redundantes. Nós ainda continuamos criando dinossauros. Quando é que vamos aprender?

Edu@rdo Rabboni disse...

Olá Carlos, de fato nunca pensei num Tsunami em Itaipu...mas concordo contigo quanto ao fato de que seria mesmo melhor descentralizarmos a geração, economizando nos altos custos das linhas de transmissão. Mas não concordo com que tenhamos unidades de geração de energia nucleares e descentralizadas, acho que isso contribuiria ainda mais para aumentar o risco de contaminação. Ok seria uma contaminação menor, em função do tamanho da usina, mas certamente seria mais difícil dormir sabendo que teríamos centenas de pequenas usinas nucleares espalhadas pelo país, e com um sistema de fiscalização mais dificultado....temos que pensar mais simples e de forma mais sustentável. Sem falar que fazer vários pequenos descartes de dejetos nucleares seria muito mais arriscado para a natureza do que alguns descartes maiores que atualmente já nos tiram o sono...