segunda-feira, julho 09, 2007

Até quando?

Já discutimos o quanto o aparelho celular da Apple, o Iphone é avançado e inovador. Sem dúvida essa empresa está lançando mais um sucesso mundial em termos de marketing, pois o aparelho foi anunciado há mais de seis meses e nunca houve tanta expectativa em cima de um aparelho celular, como essa que foi criado para o Iphone. Ora, que os produtos da Apple são desejo de consumo no mundo, nós já sabíamos, a vantagem é que basta entrar numa loja que tenha a famosa maçã branca como símbolo, ou então as milhares de representantes ao redor do mundo, escolher o melhor modelo de M3 player ou Computador que melhor se adapte às nossas necessidades e levá-lo para casa. É assim com qualquer produto Apple, menos com o Iphone. Houveram filas em todos Estados Unidos no fim de semana do lançamento do tão esperado aparelhinho celular. Foram vendidos mais de um milhão de aparelhos em poucos dias. Como em todo lançamento, existem alguns pontos a serem melhorados ainda. Mas o mais restritivo no meu ponto de vista, é o fato de venderem e habilitarem somente em uma única operadora Norte-Americana. Ele foi desenvolvido com exclusividade de dois anos para a AT&T em território Americano, e poderá ser vendido na Europa apenas em 2008 (não se tem previsão ainda de quando poderá ser vendido aqui no Brasil).
Enquanto outras empresas mostram que a possibilidade de vender aparelhos celulares desbloqueados é uma novidade, a empresa em que trabalho divulga que sempre fez isso, desde o lançamento dos aparelhos de tecnologia GSM, respeitando o direito dos clientes de usarem os aparelhos nas operadoras que quiserem. Nesses tempos de liberdade de escolha parece que a restrição da Apple é descabida.
Sabemos de algumas limitações do Iphone, quanto a duração da bateria, não trabalhar com mensagens, velocidade de conexão à Internet baixa, enfim algumas decisões que foram tomadas para o seu lançamento que certamente impactarão no seu desempenho. Mas acredito que a mais grave tenha sido a decisão de restringir o uso a uma única operadora em um único país. Até quando haverão consumidores dispostos a ficarem na fila para comprarem algo caro, que tem limitações grandes quanto ao uso, e que, ainda por cima, exigem uma fidelização mínima de dois anos no plano celular adquirido?
Quero acreditar que esse consumidor é espécie em extinção!

4 comentários:

adolfo® disse...

Vai existe estes consumidores enquanto houver lovemarks.
É um engraçado, mesmo com essas limitações, o iPhone ser considerado uma nova geração.

Edu@rdo Rabboni disse...

Obrigado pelo coment Adolfo. Dá para entender que temos aqui um ótimo case de marketing, mas até isso tem limite. O caso da Apple começa a flertar com o incômodo para o usuário...

Carlos Ribeiro disse...

No caso do iPhone, parte do "hype" se explica pelo simples fato de que o mercado americano de celulares é subdesenvolvido - até mesmo para os padrões brasileiros. Em qualquer lugar do mundo se acham celulares e serviços mais sofisticados. Eles é que estão para trás.

Agora, existe um outro aspecto que a Apple leva a sério e que ela pode ensinar aos outros como fazer... que é o cuidado com a integração dos elementos e com a usabilidade. A Apple pensa nas coisas como um sistema. Sempre foi assim, desde o Apple II (o primeiro PC "multimídia" do planeta). O iPod se transformou de MP3 player em uma plataforma de mídia digital, graças ao iTunes. E o iPhone vai pelo mesmo caminho. As concorrentes - Nokia, Motorola, Sony, etc. - insistem em produzir aparelhos variados que nada em comum tem entre si, mesmo dentro da mesma família. Não há uma arquitetura de software integrada. Cada telefone tem seu próprio software, e não há uma preocupação em dar nenhum tipo de controle para o dono do aparelho. Veja por este lado: quantas pessoas você conhece que tem o software ou sabem usar a conexão USB do seu celular? tirando os "hardcore users", e talvez parte da molecada, não conheço ninguém. Simplesmente, isso não é o foco desses fabricantes. Eles confiam na estratégia das operadoras para cobrir esse "gap", e é este o calcanhar de aquiles.

Acredito que a Apple já tenha uma estratégia planejada para o desenvolvimento do produto, com foco na integração entre todos os elementos do sistema (Mac, OS/X, iTunes, iPod), e valorizando a usabilidade pelas "pessoas comuns". A aposta é que a cada geração, o iPhone ganhe mais funcionalidades, mas mantenha a identidade como uma família de aparelhos, e não como um bando de modelos disparatados. Isso pode fazer muita diferença, como fez para o iPod.

Edu@rdo Rabboni disse...

Obrigado pelo comentário Carlos. Confesso que nunca havia pensado sob o aspecto do atraso do mercado americano provocar por si só esse hype no lançamento do Iphone, mas faz todo o sentido! Quanto a usabilidade, você sabe que trabalhei vários anos no desenvolvimento de produtos e confesso que devemos nos render a ela, pois a usabilidade determina fortemente o sucesso ou fracasso de um novo produto, seja em que mercado for, do automobilístico ao de micro-eletrônica. E viva a Apple que percebeu isso e soube, como ninguém tirar proveito dessa descoberta.