segunda-feira, fevereiro 26, 2007

O remédio que faz mal ao paciente


Estive em Barcelona acompanhando a 3GSM World, maior exposição de tecnologia celular no mundo, e presenciei os presidentes de grandes gravadoras, como EMI e Warner, defendendo o direito do cliente de músicas digitais (baixadas pela Internet ou por aparelhos celulares) de perceberem uma experiência à altura de suas expectativas. Essa preocupação faz todo o sentido, pois apesar de serem os principais representantes de uma indústria que recua 5% ao ano, já perceberam que a saída para esse mercado está na distribuição digital, que já representa dez por cento do faturamento, ou seja 2 bilhões de dólares por ano. E como fomentar um canal de distribuição de conteúdo como a Internet, se a experiência do cliente não é boa quando utiliza esse canal? Quando compramos músicas através de canais digitais acabamos pagando o equivalente ao que pagaríamos se comprássemos um CD nas lojas convencionais, o que parece não fazer sentido, pois o canal de distribuição digital possui preço muito mais baixo, também não existem as preocupações com logística e distribuição, o que deveria estar refletido em preços mais acessíveis. Também temos que lembrar da facilidade de aquisição, ouvi do próprio presidente da Warner, que o objetivo de sua empresa é que o cliente possa adquirir suas músicas com no máximo 3 “clickes” no computador ou no seu celular, ou seja os menus precisam ser mais amigáveis e em menor quantidade, o que valorizaria a experiência do cliente. E por fim, o que considero de maior impacto, que são os direitos autorais e as ferramentas que se utiliza para garanti-los, as chamadas DRM (Digital Right Management ou gerenciamento de direitos autorais). É aqui que identifico que possa estar havendo algum tipo de excesso de preocupação contra pirataria em detrimento do prazer e direitos do consumidor. Steve Jobs, fundador da Apple, escreveu um artigo que publicou no site da empresa recentemente, onde se coloca favorável a um controle de direitos autorais mais amigável, ou mesmo que isso seja substituído por uma forma de repasse equivalente ao que ocorre nas rádios, onde é arrecadado um valor percentual que é repassado aos autores e gravadores, de acordo com a freqüência de exibição de suas músicas. Por outro lado, o que vemos atualmente, é que pagamos caro pela aquisição digital, o processo de compra é complicado, pois temos que vencer inúmeras etapas nos sistemas disponíveis e além do mais, ao recebermos a música, somente podemos ouvi-la naquele dispositivo em que a instalamos (Ipod, tocador de MP3, celular ou computador), o que não acontece quando compramos um CD e o tocamos onde bem entendermos. Me parece que a dose do remédio pode colocar em risco a vida do paciente...

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

A nova TV

Enganou-se quem pensou, através do título, que este artigo tratava do novo sistema de televisão digital brasileiro (SBTVD) que entra em experimentação ainda esse ano. Tampouco é a respeito de algum novo modelo de TV digital de Plasma ou LCD, aparelhos que, com muita freqüência, encontramos em todas as lojas de eletrônicos, propagandas em jornal e revistas que se nos aparece pela frente, não, não é desse tipo de TV que vou falar.
Quero abordar aqui uma revolução silenciosa que vem ocorrendo na Internet, que só seus usuários têm percebido, e que certamente colocará em xeque o modelo tradicional de transmissão de conteúdo de forma permanente. Trata-se da onda de inserção e geração de conteúdo pelo próprio internauta. Essa onda vem se confirmando com o tempo e encontra-se reforçada pelas atuais facilidades disponibilizadas pelos softwares do tipo do You Tube (www.youtube.com) que se presta a colocar pequenos vídeos capturados de forma caseira normalmente, e mais recentemente pelo Joost (www.joost.com). Neste caso o que se pretende é uma plataforma que suporta conteúdo de maior duração, como se o próprio cliente pudesse capturar vídeo como o de canais abertos de TV e disponibilizasse através da Internet. O Joost foi desenvolvido e disponibilizado pela mesma dupla de inventivos e empreendedores, que desenvolveu o Kazaa (programa de troca de arquivos de música pela Internet) e o Skype (programa de voz sobre a Internet).
E depois da Internet através de computadores, certamente esse uso de conteúdo gerado pelo próprio usuário avançará também para os aparelhos celulares. Atualmente já existem programas e portais onde se pode disponibilizar o conteúdo capturado pelos celulares com câmera, na Internet, para que qualquer pessoa possa acessar, mas seu uso ainda não é massificado e a velocidade disponibilizada em alguns casos pelas redes celulares, ainda é baixa para transportarem informação de vídeo. Mas qualquer conteúdo gerado pode ser disponibilizado a outras pessoas como fundos de tela, ringtones (aquelas músicas que instalamos em nosso celular para personalizá-lo), ou mesmo vídeos. Com o desenvolvimento de novos programas e facilidades para os celulares, essa tendência certamente será reforçada, e como a quantidade de celulares aumentando dia-a-dia (já são dois celulares para cada aparelho de televisão no Brasil) isso deve acontecer rapidamente. E você, já colocou algum conteúdo na rede?

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Ausência Justificada

Me desculpem a falta de regularidade nessa útlima semana, estive em Barcelona acompanhando as últimas inovações da área de telefonia celular GSM, e garanto que teremos muito assunto para discutir, pois estou voltando com muitas novas idéias de produtos e tecnologias que possam facilitar ainda mais a vida de nossos clientes. Aguardem.
A próxima discussão será a respeito das TVs de próxima geração.
PS (esse post está sendo feito do aeroporto de Barcelona, enquanto aguardo meu vôo para Lisboa, de onde irei para Guarulhos - São Paulo e finalmente Uberlândia, onde passarei o Carnaval. O acesso a internet é feito através de uma acesso Wi-Fi público, aqui do aeroporto, à bagatela de sete euros e conqüenta por 60 minutos de uso...)

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Ao cliente, tudo!


A história das Telecomunicações brasileiras sofreu uma evolução tremenda na última década. Houve mudanças significativas nas áreas de tecnologia, de atendimento ao cliente, nos preços cobrados pela prestação dos serviços, no tempo necessário para se instalar uma linha telefônica, e em mais uma dezena de processos que acabaram por impactar positivamente na qualidade do serviço prestado.
O monopólio em Telecomunicações, é uma ferramenta conhecida e foi utilizada no mundo inteiro, como forma de alavancar os primeiros sistemas de telecomunicações em diversos países, pois viabilizava os grandes investimentos necessários a implantação de um sistema de dimensão nacional, para as comunicações do país, o que foi fundamental para o desenvolvimento econômico, social e político do Brasil. Mas agora vivemos uma realidade totalmente diferente. Estamos em um ambiente de concorrência de diversas operadoras e tecnologias, que se prestam ao mesmo serviço e concorrem entre si, o que é muito bom para o cliente, que fica com mais opções na hora de escolher qual operadora usar e qual serviço lhe será mais útil. Aliás a própria denominação cliente já é uma evolução, pois ele já foi chamado de assinante e usuário, ambos com uma conotação muito mais contratual do que mercadológica. E isso refletia bem como nós clientes éramos tratados nesse período, onde os telefones públicos eram mais escassos e precisávamos mais deles, pois não tínhamos tantos telefones fixos e celulares (atualmente já ultrapassamos a barreira dos 100 milhões de celulares no Brasil). Quando comprávamos uma linha telefônica, que era traduzido por uma adesão a um plano de expansão, pagávamos antecipadamente pela linha, que seria instalada com sorte dali a um ou dois anos.Hoje temos abundância de ofertas e de tecnologias que nos conectam ao mundo, e podemos escolher dentre as oportunidades que nos são apresentadas quase que diariamente. Mas ainda existe um longo caminho a percorrer, pois apesar da concorrência, ainda existem várias necessidades não atendidas. Entre elas aquela tão conhecida nossa, quando nosso micro-computador literalmente “trava” ou perde alguma configuração, negando-se a fazer aquilo que fazia de forma costumeira, também por vezes necessitamos do serviço celular em algumas situações em que a cobertura não está disponível. Então que tal recebermos todos os serviços de que precisamos de forma unificada, cobrados em uma única conta, incluídos automaticamente nos melhores planos tarifários, atendidos por telefonistas que entendam nosso problema e possam resolvê-lo rapidamente bem como contar com suporte para os problemas de informática também, não seria fantástico?

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Celular faz mal à saúde?




Muito se fala, e principalmente muito se transmite pela Internet, através daqueles e-mails que invadem nossas caixas postais sem permissão, sobre os riscos existentes na radiação proveniente de aparelhos celulares e de estações transmissoras e antenas de sistemas celulares, que algumas vezes se avizinham de nossas residências. Mas afinal das contas, a exposição a esse tipo de radiação pode levar ao câncer? A resposta é NÃO!
Os sistemas celulares utilizam-se de um método de transmissão de sinais que chamamos de micro-ondas, o mesmo tipo que é utilizado para transmissão de sinais de rádio, TV e também nos equipamentos de micro-ondas domésticos que utilizamos para fazer nossa pipoca. Apesar de termos micro-ondas em todos esses sistemas, nos equipamentos celulares a potência (força com que o sinal é gerado) é muito mais baixa do que a potência de um forno de micro-ondas ou mesmo de uma retransmissora de TV ou rádio. No sistema celular de telefonia, como existem várias antenas, ou células, o que ocorre é que o sinal é muito mais baixo, pois está distribuído em toda a cidade. Sem falar que a potência de uma antena, por estar sobre uma torre normalmente acima dos trinta metros de altura, chega até nós extremamente dissipada, a ponto de podermos garantir que a potência de nossos aparelhos portáteis celulares, que levamos em nossas bolsas ou cintura, possui uma potência maior do que as grandes antenas existentes pela cidade.
Outro ponto que deve ser salientado, é que os sistemas de transmissão de sinais de telecomunicações emitem radiação eletromagnética que, por definição, é apenas energia, não existindo emissão de fato de partículas atômicas ou sub-atômicas, como ocorre na radiação nuclear, por exemplo. Como nas ondas eletromagnéticas não existe emissão de partículas, o que ocorre é apenas um aquecimento do material exposto à radiação (esse é o efeito que atua sobre a comida que colocamos no forno de micro-ondas), o material se aquece, porém obviamente não fica radioativo. Por outro lado, quando somos expostos à radiação nuclear (fazendo uma radiografia ou tratamento radiológico, por exemplo) as partículas atômicas que são irradiadas podem se chocar com os núcleos das células humanas, provocando eventualmente em alguns casos algumas mutações celulares que levem a formações cancerígenas. O mesmo ocorre quando ficamos expostos ao sol por muito tempo, a radiação ultra-violeta do sol pode provocar também algumas mutações celulares, que podem levar a formação de células cancerígenas, para isso existe uma ação de nosso próprio organismo que elimina essas formações e nos mantém sadios.Então a dica é, usar sempre filtro solar e lembrar que o maior mal que pode advir de um aparelho celular é se ele cair em seu pé, ou a conta telefônica que ele pode representar ao final do mês.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Até onde vai a miniaturização?


Todos devem se lembrar dos primeiros aparelhos celulares, não? Eram verdadeiros tijolos, que carregávamos em nossos cintos e malas (com muito custo...), isso para não falar dos rádios transistorizados, ou carinhosamente chamados de “radinhos de pilha” e na mesma linha de comparação, podemos citar outros tantos aparelhos que freqüentavam nossos lares, como vídeo cassetes, aparelhos de som e eletrodomésticos em geral. Quase todos tinham características semelhantes, ou seja, eram pesados, grandes e pouco eficientes (em geral consumiam muita energia das pilhas e eram de difícil manuseio).
Após esse período da popularização do uso dessas tecnologias, o que se viu foi um processo de miniaturização geral, onde se buscou colocar as mesmas funções em aparelhos mais compactos, leves e com maior facilidade para levarmos conosco. Mas como tudo em eletrônica, o processo de fazer mais, em menos tempo, e a um custo menor não tem fim, e continuamos evoluindo nossos aparelhos, até notarmos as primeiras impressões negativas referentes aos diminutos novos aparelhos, que começaram a ficar difíceis de utilizar, seja pelo tamanho das letras, seja pelo tamanho dos botões, haja vista que nossos dedos não passaram pelo mesmo processo de miniaturização, ainda bem!
Enxergo que essa tendência se comporta de forma mais adequada atualmente, assim comprimimos e compactamos o que chamamos de tecnologia embarcada, de forma que agregamos novas funções e usos, aos equipamentos que já existiam, sem, no entanto, mexer no seu tamanho final, o que acaba por facilitar o seu manuseio pelo cliente final.
A velocidade com que tais mudanças vêm ocorrendo, também contribui para a percepção que temos que à cada dia, as coisas tornam-se obsoletas mais rapidamente. Se isso é bom para a economia e para as empresas que produzem essas maravilhas da tecnologia moderna, por outro lado devem ser motivo de análise cuidadosa por parte do comprador, para evitarmos investir muito dinheiro em algo que certamente, estará desatualizado em poucos meses.
De minha parte, já me vi analisando a possibilidade de adquirir alguns equipamentos que, apesar de avançados, integrados e extremamente modernos, faziam exatamente a mesma coisa que os modelos anteriores que eu já possuía.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

iPhone - a melhor inovação da Apple


Publiquei em agosto do ano passado neste jormal e no Blog MundoConectado (http://www.mundoconectado.blogspot.com/) um texto que abordava a convergência digital a partir dos aparelhos celulares, já que eles vêm abrangendo diversos usos, dentre eles câmera digital, tocador de música digital, agenda eletrônica, acesso a Internet e e-mail além de jogos e uma série de outros aplicativos que aumentam dia-a-dia. Pois na semana passada Steve Jobs, co-fundador e CEO da Apple, anunciou o lançamento comercial do iPhone, a evolução dos tocadores de música mais populares no mundo, os iPod, adicionado de uma série de facilidades, incluindo a de aparelho celular. Parece que será outro sucesso dessa empresa que utiliza a inovação, design e facilidade de uso como seus diferenciais competitivos.
Apesar de já existirem mais de uma centena de aparelhos celulares com funcionalidade de tocadores de música, esse será o primeiro tocador de música com funcionalidade de celular, e para ilustrar a inovação contida nesse lançamento, foram mais de 200 registros de patentes durante o desenvolvimento do iPhone, tamanha é a inovação oferecida, na forma de utilizar o celular ou abrir os aplicativos, já que ele não conta com os tradicionais botões, tudo é feito através do toque dos dedos na tela do aparelho, fácil não?
O que faz o sucesso desse tipo de aparelhinho no mundo todo? Acho que é a mistura na dose certa, de simplicidade de uso, um design que alia linhas simples e arrojadas ao mesmo tempo, que traz modernidade ao modelo e por fim uma filosofia de inovação que transborda de todos os produtos que a Apple coloca no mercado, seja na maneira simples de utilização, nas cores, nos aplicativos e até na embalagem que o acompanha. Quando abrimos um produto Apple, as diversas faces da caixa vão nos preparando para o que encontraremos no seu interior, um show de inovação.
O preço ainda é salgado para nosso mercado, possuirá duas versões, com preços de 500 e 600 dólares. É o valor equivalente à celulares do tipo smartphone que existem no mercado brasileiro.
Espero que essa onda de inovação tenha chegado para ficar, e que o lançamento do iPhone provoque uma reação nas empresas concorrentes da Apple, de forma a que sejamos brindados cada vez com dispositivos mais modernos, mais avançados e claro, mais fáceis de usar, já que ler manual de aparelho, como dia minha filha, ninguém merece!

domingo, janeiro 07, 2007

Mais facilidades em fotos digitais


Com o avanço das máquinas fotográficas digitais, (a previsão é que no Brasil em três anos as máquinas digitais suplantarão as convencionais) crescem na mesma proporção os serviços que são disponibilizados para facilitar a vida dos fotógrafos, amadores ou não.
Existe uma infinidade de sites na Internet (http://www.gigacolor.com.br/, http://www.abafilm.com.br/, http://www.datapixcell.com.br/, etc), através dos quais é possível enviar o arquivo de suas fotos por e-mail e receber as fotos impressas, no tamanho pretendido, no conforto de sua casa.
Os grandes provedores de acesso a Internet também disponibilizam álbuns de foto para que possamos compartilhar nossas fotos com amigos e familiares, sem falar nos Fotologs que permitem além da publicação das fotos, que agreguemos comentários às mesmas, o que torna o processo mais divertido e interativo.
Ainda existe uma série de facilidades que começam a ser exploradas, relativas a troca de arquivos de fotos, seja através de softwares específicos, ou mesmo através de dispositivos com ou sem fio, como o Ipod da Apple ou o Zune da Microsoft, que permitem que troquemos fotos com nossos amigos de forma facilitada.
Com o aumento do uso de fotos digitais, aumenta também a necessidade de utilizarmos softwares que nos facilitem encontrar as fotos em nossos computadores, pois após algum tempo de arquivamento podemos facilmente contar com milhares de fotos, e sem algum aplicativo que facilite nossa vida, achar aquela foto do aniversário de nossos filhos pode se tornar muito difícil.
A Kodak vem se posicionando de forma inovadora nesse mercado, haja vista que seu principal produto, rolos de filme fotográfico, teve uma grande queda, já venderam mais de 90 milhões de rolos ao ano e atualmente comercializam algo em torno de 45 milhões de rolos.
A primeira novidade já foi lançada através da máquina DC290, que possui além das facilidades normalmente encontradas em câmeras digitais, também um sistema de posicionamento global por satélite, mais conhecido como GPS, ou seja, toda foto que é batida registra hora e local exato, assim depois podemos achar determinada foto pelo lugar onde foi tirada, por exemplo, podemos localizar em nosso computador aquela série de fotos tiradas nas férias de 2001 na praia de Ubatuba...
Outra facilidade avançada, ainda em fase de desenvolvimento, é um software que reconhece a fisionomia das pessoas nas fotos, assim podemos localizar todas as fotos existentes em nosso computador que contenham alguma pessoa em especial. Poderíamos localizar, por exemplo, todas as fotos que tivessem nossos filhos, esposa, namorados, etc, fantástico não? Então vamos aos “clicks”.

domingo, dezembro 24, 2006

LapTop de US$ 100 chega ao Brasil


Chegaram ao Brasil os primeiros LapTops do programa OLPC (One Lap Top per Child http://www.laptop.org/index.pt_BR.html), criado pelo Cientista da Computação Nicholas Negroponte. Enganaram-se os que diziam que não seria possível a entrega da promessa do LapTop de cem dólares, destinado ao nobre princípio da inclusão digital. Os equipamentos já se encontram em fase experimental com crianças, isso mesmo, com crianças, pois nada melhor para efetuar esses testes do que os próprios usuários para os quais ele foi desenvolvido. Chegaram nessa semana que antecede ao Natal, em torno de cem computadores portáteis, e foram distribuídos para universidades em todo o País, para a fase de testes, mas as primeiras impressões foram extremamente positivas. As máquinas se mostraram com bateria adequada ao uso escolar, a qualidade da tela impressionou pela definição apresentada, a velocidade de acesso aos aplicativos foi muito boa e o dispositivo para acesso à Internet sem fio funcionou perfeitamente.
Parece que estamos um pouquinho mais perto do sonho de diminuir a cruel exclusão que aflige aos países em desenvolvimento, em especial a exclusão causada pelo acesso quase inexistente das populações mais pobres aos recursos educacionais mais avançados.
Que esperamos de futuro, se a maioria de nossos jovens, somente têm acesso à educação básica escolar? Na grande maioria das vezes em escolas municipais ou estaduais, que apesar do esforço do corpo docente ali existente, normalmente não conta com recursos educacionais que possibilitem uma familiaridade maior de nossas crianças com aquelas ferramentas que poderiam acompanhá-las a vida toda, tornando seu processo de aprendizado mais fácil e eficaz.
Pois bem, com essa iniciativa do programa OLPC, esse futuro parece estar mais delineado, e começamos a ver uma luz no fim do túnel. Sabemos que, cada vez mais, as profissões criam maior dependência da eletrônica, apoiando-se fortemente nas ferramentas de interatividade e Internet, e ter a parte mais promissora de nossa sociedade, as crianças, alijadas desse processo nunca pareceu fazer sentido. Se conseguirmos dar sustentabilidade a esse programa no Brasil, através de um processo educacional eficiente, manutenção adequada das máquinas e principalmente oferecendo um conteúdo de qualidade, ninguém segurará os nossos profissionais do futuro.

domingo, dezembro 17, 2006

Pirataria

No texto impecável dos irmãos Wachowski, em determinada cena do filme Matrix (www.whatisthematrix.warnerbros.com), temos um diálogo em que Mr. Smith apresenta uma tese ao personagem Neo, em que diz que o único organismo vivo que se assemelha com o ser humano é o vírus, no sentido que toma conta de determinado corpo, do qual depende sua sobrevivência, e mesmo assim o aniquila. É claro que a intenção dos autores é provocar a percepção do mal que estamos causando ao meio-ambiente, sem o qual não vivemos.
Além de uma ótima dica para quem ainda não assistiu a trilogia Matrix, gostaria de me aprofundar um pouco no significado dessa frase, que sempre me intrigou muito. Apesar de concordar com a importância do tema preservação do meio-ambiente, queria aqui tomar a visão da pirataria, de forma análoga à citação do filme Matrix. Acho totalmente aplicável, pois não consigo entender pessoas que gostam muito de jogar vídeo games, por exemplo, mas ao invés de comprarem seus jogos e pagarem aos autores e produtores, preferem comprar CDs “piratas” ou baixarem de forma gratuita através da internet. Ora, no extremo, se todas as pessoas fizessem a mesma coisa, não haveria mais jogos, pois ninguém seria capaz de continuar trabalhando de graça, sem receber nada em troca. Se isso não acontece, é porque ainda existe uma quantidade razoável de pessoas que preferem adquirir legalmente seus programas, o que estimula os desenvolvedores e programadores a fazerem mais programas. Então fica outra pergunta, se alguns aceitam pagar pelo que estão recebendo, porque outras pessoas aceitariam tranqüilamente utilizar gratuitamente jogos não oficiais, sabendo que isso é ilegal? E por fim, o que nunca consigo entender, é como alguns pais conseguem estimular seus filhos a fazerem o mesmo, ou seja destravam os consoles de jogos de seus filhos, assim que os compram, para que possam utilizar-se de CDs não originais, ou mais comumente chamados “piratas”.
Será que existe alguma razão que diga que a utilização de jogos “piratas”, é menos considerado como infração, do que um roubo de carro ou de carteira, por exemplo? Confesso que como engenheiro, a interpretação das leis não é meu forte, mas sempre achei que fosse a mesma coisa.
E por outro lado fico imaginando que, se todos pagássemos, haveria uma diversidade maior de jogos, o que seria melhor para todos e acabaria estimulando que mais empresas e programadores desenvolvessem novos jogos, o que acabaria por baratear os jogos, pela maior competição, enfim seria melhor para todos. Então nesse fim de ano, fica meu conselho, se comprar um console de games para seu filho, seja X-Box, Nintendo ou Play Station, deixe-o original, não demonstre a seu filho que a lei tem duas interpretações, afinal é contra isso que temos brigado tanto como cidadãos, não é?

sábado, dezembro 09, 2006

RFID - Identificação por Rádio Freqüência

Recentemente, em uma viagem pela rodovia Anhanguera e depois de muito ler a respeito, resolvi instalar um “Sem Parar” no meu carro, que me possibilitaria passar de forma mais rápida nos pedágios dessa rodovia (que não são poucos), economizando tempo, me livrando do transtorno dos trocos e moedas e ainda com o conforto e segurança de pagar ao final do mês, no meu cartão de crédito.
O “Sem Parar” nada mais é do que um chip de rádio freqüência, que vem acondicionado em uma caixinha de plástico e fica colado pelo lado interno do pára-brisa, e avisa ao pedágio quando vamos passar, de forma que sejamos identificados para que possa ser feito o débito do valor correspondente em nosso cartão de crédito, simples e rápido!
Já existe convênio de utilização desse mesmo dispositivo em vários estacionamentos de lojas, shoppings e aeroportos, que passam a oferecer o mesmo conforto na hora de pagar.
RFID é uma sigla que vem do inglês e que significa Radio Frequency Identification, ou seja identificação por rádio freqüência. A utilização do RFID para pagamento automático de pedágios é a ponta do iceberg, na realidade a capacidade de automação que esse simples dispositivo proporciona é assombrosa. Com o barateamento dessa tecnologia, passaremos a ter a disponibilidade de etiquetas de supermercado com essa tecnologia, ou seja, entraremos no supermercado, colocaremos tudo o que quisermos no nosso carrinho e poderemos tranqüilamente levar diretamente todas as compras para nossos carros, sem preocuparmo-nos com as longas e sempre existentes filas nos caixas de pagamento. Isso será possível porque as mercadorias adquiridas serão lidas automaticamente assim que passarmos com o carrinho pela saída da loja, bem como nossa identificação pessoal e, existindo crédito, o valor total da compra será debitado automaticamente.
As mesmas etiquetas permitirão controle de validade de alimentos, estoques de produtos nas lojas e em nossas casas.
Um cartão com essa tecnologia, e de uso pessoal em nossas carteiras, permitirá pagarmos o ônibus, metrôs, trens urbanos, entrada em cinemas e teatros, enfim um sem número de utilizações de pagamento, de forma segura, rápida e integrada.
Quem viver verá.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Comércio Eletrônico

Soubemos do recente interesse das empresas Americanas.com e Submarino de juntarem suas operações. Tratam-se da maior e da segunda maior empresas de comércio eletrônico (e-commerce) do Brasil, que juntas faturarão mais de dois bilhões de reais por ano. E o mais interessante é que suas operações têm pouco mais de seis anos. Mesmo sabendo que no caso das Lojas Americanas já existia a loja convencional como base para a operação, a forma de administração de custos e de logística de uma operação de venda eletrônica é muito diferente de uma loja tradicional.
Comparando o ritmo de crescimento do comércio de varejo tradicional, conseguimos observar que o comércio eletrônico vem crescendo a taxas mais altas. Isso é fruto da expansão da Internet banda larga e da penetração de computadores nos nosso lares, bem como de uma mudança de hábito da nossa população, que vai pouco a pouco experimentando novas formas de compra, e se acostumando com o conforto e economia de poder escolher antecipadamente o que se vai comprar, tendo todas as informações à disposição, ao alcance de um simples “clique” e, depois de definido o bem que se pretende adquirir, basta acessar um site de comparação de preços, como o Buscapé por exemplo (www.buscape.com.br) e temos em instantes, o lugar mais seguro e em que a mercadoria que pretendemos comprar apresenta-se com o menor preço. É difícil concorrer assim não?
Existe certamente espaço para todos que queiram prestar um bom serviço, seja com o modelo baseado no relacionamento e diferenciação, seja no modelo baseado na diversificação ou então no modelo baseado em preços.E a tão procurada segurança, será que teremos a mesma segurança em nossas compras eletrônicas que temos quando fazemos nossas compras em lojas físicas? Nesse quesito, o comércio eletrônico é imbatível, pois permite que paguemos somente após recebermos em nossas casas, permite ainda que em caso de desistirmos da compra, façamos a devolução do bem e que não tenhamos que pagar nada a mais por isso, isso sem falar as inúmeras formas de pagamento e parcelamento através de cartões de crédito, que sem dúvida possuem uma transação bem mais segura de forma eletrônica pela Internet, do que quando o utilizamos em lojas e restaurantes, e que ficam passando de mão em mão, até que assinemos o recibo da transação, autorizando a operação. Então, vamos às compras de natal, pela Internet é claro!

quarta-feira, novembro 22, 2006

O spam nosso de cada dia

De tempos em tempos, recebemos em nossas caixas de correios de e-mail, notícias de crimes e novas formas de agressão, cometidas por criminosos digitais. Essas notícias normalmente chegam até nós de forma espontânea e não solicitada (ou o que chamamos de spam), pois invadem a privacidade de nossos e-mails sem pedir licença e, não raro, trazem textos de alerta, que mais do que nada, servem mais para nos deixar preocupados do que informados propriamente dito, pois ora mostram fulano que foi seqüestrado, com base nas informações retiradas do Orkut, ora beltrano que foi vítima de um pseudo-seqüestro, elaborado com base nas informações retiradas do perfil existente no MSN, ora relatam o caso de uma pessoa que ao acordar, descobriu que tinha sido vítima de vários transplantes de órgãos não autorizados, e que ainda de quebra havia adquirido alguma (ou algumas) doenças incuráveis, e para não falar das não menos freqüentes, mensagens na forma de cadeia, que trazem alegria, felicidade, riqueza e saúde, mas que se forem quebradas, serão implacáveis pelos males que trarão ao incauto leitor que não re-enviar esses mal intencionados e-mails a uma dúzia de pobres amigos, que de novo terão suas caixas de entrada abarrotadas de conteúdo inútil.
Também recebemos falsas notícias de crimes cometidos nos sinais de nossas cidades, nos caixas eletrônicos, nos telefones que ao serem atendidos propiciam clonagens dos números telefônicos, que a partir de então gerarão contas telefônicas astronômicas, sem que nada possa ser feito.
E quem já não recebeu mensagens de bancos, de associações de proteção ao crédito, de lojas eletrônicas, ou mesmo de pessoas que não conhecemos nos oferecendo fotos desinibidas, ou envio de cartões pessoais, onde links maliciosos no texto esperam nossos “cliques” desatentos, para que programas maliciosos se instalem em nossos computadores?Todos esses casos são spam, ou seja informações recebidas e não solicitadas, que atrapalham o tráfego na Internet e que, além de não possuírem o caráter informativo, ainda propagam o pânico nas pessoas crédulas que levam a sério seus conteúdos. Pense bem, alguém conhece de fato alguém que foi vítima real de clonagem, seqüestro, transplante ilegal ou mesmo chantagem pela Internet, através de e-mails recebidos ou fatos retirados na Internet? Convenhamos que na grande maioria das vezes, a fonte não é verificada e apenas propagamos esses boatos entre nossos amigos, ajudando a reforçar essa rede de bobagens na Internet. Façamos nossa parte então, dando um fim ao Spam, deletando de forma impiedosa esses e-mails, e poupando nossos amigos de recebê-los.

sexta-feira, novembro 17, 2006

Músicas em formato Digital

Ao final do ano passado, uma revista feminina muito popular no Brasil (Contigo) divulgou uma pesquisa em que as entrevistadas diziam o que mais queriam, e o primeiro lugar foi tocador de MP3 (formato compactado de músicas digitais), em segundo lugar sexo, e em terceiro lugar CDs ou DVDs...
Pois bem, a música é universal, desperta sentimentos positivos, acalma, nos faz viajar e diverte muito. Bem, se a maioria das pessoas gosta de músicas e as gravadoras e distribuidoras trabalham todas com exclusividade, era de se esperar que o negócio da música estivesse em franca expansão correto? Errado! Na realidade é um mercado que está encolhendo.
As gravadoras e distribuidoras não entenderam o negócio da música, e ao invés de tentarem desenvolver novas maneiras de distribuírem seus conteúdos, pura e simplesmente fizeram-se de lesadas, e buscaram formas de inibir a distribuição de conteúdo digital na Internet. Grande erro estratégico, pois enquanto a penetração de computadores e de Internet cresce a olhos vistos, o mercado de distribuição de CDs patina, correndo sério risco de perder o bonde da história.
Adquirimos um CD da banda preferida de meu filho, que há muito tempo ele almejava. Chegando em casa, sua primeira reação foi gravar as músicas preferidas em seu tocador de MP3 para que pudesse ouvi-las onde quisesse, qual não foi sua surpresa ao descobrir que o disco veio com uma proteção de DRM (do inglês – Digital Right Management, ou controle de direitos autorais), esse aplicativo na prática impede que as músicas sejam copiadas para qualquer outro dispositivo digital. Ou seja, se ele tivesse “baixado” as músicas gratuitamente pela Internet, sem pagar nada a ninguém, poderia gravar e distribuir essas músicas sem nenhum problema, como as adquiriu legalmente, pagando direitos autorais, fica impedido de ouvir essas mesmas músicas em outro dispositivo, parece irônico não?
Por essas e outras é que vemos que o negócio de distribuição de músicas somente cresce na forma digital, inclusive de forma legal, através dos portais oficiais como iTunes, iMusica, Terra e Uol, e como o mercado digital está só começando, existe muito espaço para ser ocupado, por empresas empreendedoras e que se dêem ao trabalho de entender o que seus consumidores querem: boa música, adquiridas de forma segura e confortável, sem o risco de infestarem suas máquinas com vírus ou softwares mal-intencionados, e acima de tudo pagando um preço justo por esse prazer.

segunda-feira, novembro 13, 2006

Lap Top de 100 dólares chega ao Brasil no ano que vem

Fiquei muito contente de ver essa notícia no site comparatel (www.comparatel.com.br), relativa ao início do processo de fornecimento do LapTop destinado à inclusão digital. Acendamos uma vela para que tal iniciativa chegue ao final da maneira correta.

"O fabricante do laptop para fins educacionais do projeto One Laptop Per Child (OLPC), a taiwanesa Quanta Computer, confirmou que Brasil está na lista dos países que já encomendaram unidades do notebook.
A empresa taiwanesa, maior fabricante terceirizada de notebooks do mundo, tinha estimado anteriormente que só começaria a produção em volume no segundo trimestre do próximo ano. A previsão agora é que a produção em massa seja iniciada no primeiro trimestre de 2007. As primeiras unidades já começaram a ser fabricadas ainda este ano. A expectativa é de produzir de 5 milhões a 10 milhões de unidades de laptops no próximo ano. Segundo a Quanta, já formam confirmados pedidos da Argentina, Brasil, Líbia, Nigéria e Tailândia.
O projeto OLPC tem como objetivo assegurar que estudantes em países em desenvolvimento acompanhem a evolução digital das nações mais ricas, colocando em suas mãos um laptop dotado de recursos wireless.
Desenvolvido em conjunto por acadêmicos e grupos da indústria, o laptop de 100 dólares vai rodar Linux, com processador de 500MHz da AMD, será pronto para conexão sem fio, e terá 128 MB de memória e 500 MB de armazenamento em memória flash. O aparelho não terá disco rígido."

quinta-feira, novembro 09, 2006

Os desafios do VoIP

Na palestra desta semana no CenterConvention em Uberlândia, durante o seminário de tendências tecnológicas, abordei os desafios do VoIP (voz sobre protocolo Internet). Além da já muito comentada inclusão digital, haja vista possuirmos no Brasil mais de 70 milhões de usuários de telefonia celular, 55 milhões de usuários de telefonia fixa e apenas 32 milhões de internautas, acredito que a tecnologia de voz sobre protocolo Internet - VoIP, apresente três grandes desafios ainda por vencer:
O primeiro é relativo a qualidade dos aparelhos, pois enquanto no passado o telefone que nossas avós tinham em casa, normalmente em posição de destaque na sala, era fornecido pela concessionária de telefonia e durava décadas (sendo inclusive declarado no imposto de renda) os acessórios para VoIP podem ser comprados em qualquer lojinha, a partir de 6 reais e esses microfones e fones de ouvido, de qualidade duvidosa, interferem na qualidade da transmissão e recepção de voz.
Outro desafio é decorrente das especificidades do Brasil. O protocolo IP foi pensado através da flexibilidade oferecida pela tecnologia de compressão de voz, que parte do princípio que em uma conversação telefônica, apenas 22% da informação é útil, sendo 26% passível de compressão e os restantes 52% silêncio, ou seja, podem ser suprimidos. Quando estamos pensando em voz, não há problemas, e conseguimos sistemas perfeitamente inteligíveis de conversação, agora quando pensamos em FAX, esse mesmo sistema torna-se preocupante, pois por vezes comprime ou suprime o que não pode se perder na ligação e acabamos por não conseguir transmitir nosso fax pela VoIP, isso sem falar nas ligações a cobrar, características também do sistema brasileiro de telefonia, que por vezes não encontram respaldo nas tecnologias de VoIP. Essas dificuldades são passíveis de solução, mas têm exigido dedicação de nossos técnicos no momento da ativação das facilidades.
E por fim temos o desafio da concorrência, pois no mercado nacional de VoIP existem mais de 140 empresas oferecendo serviços, dessas apenas 6 são empresas de grande porte e apenas 4 oferecem numeração telefônica. Não me atreveria a dizer quantas pagam seus impostos ou dispõem de técnicos dedicados ao atendimento de seus clientes. Tenho notado no mercado empresas que vendem a tecnologia de VoIP através de marketing de relacionamento (semelhante ao modelo de venda de cosméticos), ou mesmo modelos de cascata, onde a cada usuário indicado, ganha-se um valor em dinheiro pela indicação.
Frente aos desafios dessa tecnologia, que não são poucos, me parece adequada a escolha de um parceiro tecnológico que possa no mínimo entender nossas necessidades e identificar as melhores opções, dentre as muitas existentes, que possam melhor nos atender, e tenho dito!

domingo, novembro 05, 2006

Conceito de Ética

Nessa semana tive o privilégio de assistir a uma palestra com o filósofo e teólogo Leonardo Boff e com o também teólogo, psicanalista, educador e escritor Rubem Alves. Ambos abordaram o conceito de ética sob um novo prisma. Definem a ética como aquela ação que expande e desenvolve a humanidade e o meio ambiente, e não mais o conceito filosófico e exato. Entendem o meio ambiente como a expansão do Ethos, que é o meio que nos circunda e abriga, anteriormente entendido como nossa casa, e que agora assume novas fronteiras, não falamos de nossas cidades, de Minas ou Gerais ou do Brasil, mas sim do nosso planeta.
Nesse conceito, é correto dizer que amar ao próximo é a mais pura expressão da ética (entendam aqui que a palavra próximo não se refere apenas aos seres humanos, mas a todos os seres vivos do planeta). Vale aqui a máxima ou regra de ouro, que nos ensina a querer para outro o mesmo que queremos para nós próprios, ou ainda fazer aos outros o que gostaria que fizessem a você.
De forma análoga, podemos entender com anti-ético a falta de compaixão (paixão ou sensibilidade pelo outro), a exclusão em todos os sentidos (exclusão digital, social, econômica, etc).
Sempre defendi a inclusão digital como fundamental ao processo educacional, e me preocupa o fato de termos apenas um terço de nossa população no Brasil com acesso à informática. Sabendo da importância da Internet nos processos de automação, comércio, educacional e de formação do conceito de cidadania através das iniciativas do governo eletrônico, transações comerciais e até entretenimento, como podemos dormir com um barulho desses, sabendo que dois terços da população não tem acesso a esse universo? E o mais crítico desse cenário é o que está por vir, pois sabemos que a ferramenta com maior potencial de desenvolvimento dos últimos anos é a Internet, portanto a grande maioria dos movimentos inovadores, incluindo os educacionais de base, certamente passarão também por ela. Ou seja temos uma das maiores ferramentas, com potencial para melhorar em muito nossa situação de país em desenvolvimento, e simultaneamente temos a maior parte de nossa população alijada desse processo, por total incapacidade de relacionar-se com esse meio. É dessa realidade que estou falando, e desse conceito, agora ampliado, do que é ética e de como podemos trabalhar para mudar essa realidade que aqui se apresenta.

sexta-feira, outubro 27, 2006

Que venha o Wimax!

Tenho comentado sobre a possibilidade de conexão à Internet através de antenas, trata-se da tecnologia Wi-Fi, já bastante comum na maioria dos aeroportos do mundo e do Brasil, também disponível em shoppings, restaurantes, algumas cadeias de lanchonetes e cafés e outros lugares onde pessoas podem freqüentar e acessar a Internet através de seus computadores portáteis ou PDAs (como palms e organizadores pessoais por exemplo).
Gostaria de abordar agora o WiMax, que equivale a mesma tecnologia Wi-Fi, porém com uma capacidade inúmeras vezes amplificada, de forma a permitir coberturas muito grandes, assim através de uma única antena, conseguimos oferecer acesso a internet em um raio de até 50 quilômetros, em condições especiais.
Para algumas cidades poderemos oferecer acesso a internet para cidade inteira através de uma única antena (há também um compromisso com a visibilidade, por se tratar de propagação de ondas e da quantidade de usuários que utilizarão o sistema simultaneamente). Para operar a tecnologia WiMax, é necessário que a operadora possua uma licença da Agencia Reguladora de Telecomunicações, que é a Anatel. A aquisição das freqüências necessárias à prestação desse serviço se dará através de licitação pública, e existirão compromissos de utilização da freqüência, de forma a possibilitar a melhor utilização possível desse serviço.
As vantagens dessa tecnologia permitirão não somente o acesso a banda larga sem fio, pois uma vez que disponhamos de aparelhos celulares com tecnologia de dados, poderemos fazer Voz sobre IP (protocolo Internet) nos próprios aparelhos celulares. Assim a tão esperada tecnologia de terceira geração – 3G, que levou as maiores empresas de telecomunicações da Europa a investirem mais de 40 Bilhões de dólares nas aquisições de licenças para operar, pode se ver em situação de ter que enfrentar uma tecnologia concorrente, com muito maior capacidade de dados, e por um preço muitíssimas vezes menor.
Para se ter uma idéia do avanço da tecnologia de VoIP nos celulares, já existem no mercado 25 modelos de aparelhos celulares com essa tecnologia, sendo que todos os fornecedores planejam grandes investimentos nessa área. Acredito que mais uma vez, a velocidade de introdução de novas tecnologias e possibilidades de novos serviços impulsionará a utilização de novos meios de comunicação, que eventualmente nem tenham sido ainda discutidos no âmbito da agência reguladora. Bom para o usuário e para a sociedade em geral, que experimentarão novos usos da tecnologia e terão a seu dispor um maior número de concorrentes oferecendo serviços.

sexta-feira, outubro 20, 2006

One Laptop per Child

O cientista da computação Nicholas Negroponte, que criou o Media Laboratory, do MIT, que é reconhecido atualmente como o maior centro de desenvolvimento tecnológico de informações do mundo, vem pregando essa máxima, One Laptop per Child, ou seja um Laptop por criança.
Ele defende que todas as crianças do planeta devem possuir um computador portátil, com valor de no máximo cem dólares, e que essa plataforma serviria para elevar a educação do mundo a um patamar jamais visto. Entendo que não caiba aqui nesse espaço a discussão de qual necessidade é mais premente no mundo atual, se a fome, se o amor ou se a educação, que aqui se reveste do termo “inclusão digital’. Obviamente uma criança sem ter o que comer não pode ter condições de desenvolver-se intelectualmente, por outro lado, face à velocidade com que a tecnologia tem se desenvolvido, aliado ao fato de que até o ano 2003 mais da metade do globo nunca havia feito uma única ligação telefônica na vida (ou seja a exclusão digital de qualquer tipo de tecnologia suplantava 3 bilhões de pessoas) mostra o quanto temos que investir na inclusão, seja ela tecnológica ou social, pois estamos vendo o resultado dessa diferenciação de realidades em nossa sociedade dia após dia.
Nossos filhos nascem dentro de uma realidade educacional e de relacionamentos que já considera a tecnologia como algo natural, e entendo aqui natural como sendo a falta da necessidade de se recorrer a um manual para utilizar-se de qualquer traquitanice tecnológica, enquanto que a imensa maioria dos jovens na atualidade, sequer têm acesso comunitário a qualquer tipo de tecnologia. Como falamos de estar preparados para um futuro que ainda não visualizamos o contorno claramente, somente sabendo que se molda de forma totalmente diferente do que conhecemos, não há como tolerar uma realidade dessas, que só faz piorar a diferenciação social experimentada pela nossa atual sociedade.
O computador de baixo custo já é uma realidade também no Brasil, onde temos exemplos como o da empresa Novatium (www.novatium.com.br), que vem se especializando nesse tipo de máquina. De qualquer forma, seja através de um sistema tecnológico mais acessível, seja através de políticas governamentais inclusivas ou seja através da nobre ação voluntária de pessoas com essa disponibilidade, o fato é que devemos fazer algo para mudar essa realidade que se nos apresenta no momento.
Concorda comigo quanto a essa necessidade? Então junte-se aos bons, inicie alguma ação política ou social, que auxilie a mudar a realidade que aí está!

quarta-feira, outubro 11, 2006

O poder está com o usuário

Já tinha comentado sobre os modelos comerciais e financeiros que utilizamos para valorizar uma empresa, e citei como exemplo o YouTube, que não gera receita nenhuma e ainda investia mais de US$ 500.000,00 por mês na manutenção e ampliação de sua infra-estrutura, e que mesmo assim tinha uma valorização superior a um bilhão de dólares, pois bem com a finalização da venda do YouTube para a Google nessa semana por nada menos que 1,6 Bilhões de dólares fica comprovado que uma empresa vale mesmo muito mais que sua capacidade de geração de caixa, ou mesmo seu faturamento.
Estaríamos vivendo então uma nova bolha da Internet, época em que todas as empresas com faturamento menor que despesas e custos valiam uma fortuna? A resposta é não! Então de onde vem o valor de um programa de vídeos amadores, onde mais de 100.000 vídeos são postados diariamente?
Estamos vivendo um momento em que o conteúdo gerado pelo próprio usuário tem um valor incrível, pois cada vez mais, é esse conteúdo que gera interesse e gera audiência, seja ele conteúdo de vídeo, de texto (Blogs e páginas pessoais), de áudio (podcastings) ou mesmo conteúdos pessoais (é o caso dos sites de relacionamento). Com isso o poder está migrando das grandes corporações das comunicações (jornais, televisão e rádios) para os usuários que colaboram e criam o seu próprio conteúdo. Algumas empresas da era da Internet já perceberam isso, e vem daí a valorização atingida nessa semana pelo YouTube. Não se discute aqui a qualidade da imagem, o tempo de duração da transmissão, se o vídeo é dublado ou legendado, e mesmo se nele trabalha alguém conhecido, em contra-partida se tem a sensação de poder assistir o que quiser, quando quiser, e quantas vezes quiser, e mais, caso o conteúdo lhe pareça de gosto duvidoso ou possua caráter ofensivo, ainda pode-se denunciá-lo e o mesmo é rapidamente retirado do ar, ou seja, a censura é feita diretamente pelo usuário, nada mais democrático! Se eu não gosto de determinada forma de escrita ou redação, não visito mais aquela página, pois iguais a ela existem milhões, se não concordo com determinada notícia ou artigo, escrevo e me comunico diretamente com quem a escreveu, cada vez mais vemos mídias convencionais publicando mídias novas e alternativas, assim temos programas de rádio que são divulgados também em podcasting, programas de TV que são divulgados também através de vídeo na Internet, jornais e revistas que publicam simultaneamente seu conteúdo em Papel e na Internet. Enfim estamos vivendo em uma época onde quem manda é o leitor ou ouvinte, que bom!